A Inveja

A inveja é um sentimento que está contido em todo ser humano, com maior ou menor intensidade, positiva ou negativamente. Um sentimento muito difícil de ser admitido por pessoas que o possuem com muita intensidade, principalmente por ele não ser aceito com facilidade pela sociedade no geral. A inveja como significado da palavra no seu sentido denotativo é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem ou ainda o desejo violento de possuir o bem alheio, ela deriva da palavra invidia do latim. Ela está diretamente ligada ao mecanismo da comparação, pois o referencial do que queremos ter está geralmente na outra pessoa e nunca dentro de nós mesmos.


Considerado como o quarto, na ordem alfabética crescente, pecado capital (avareza, cobiça ou soberba, gula, inveja, ira, luxúria e preguiça), ela, a inveja, é uma verdadeira oposição ao décimo mandamento (aí, eu questiono, até onde o 9o. mandamento – não desejar a mulher do próximo, não se confunde com o 10o. mandamento – não cobiçar as coisas alheias?) que o Senhor ensinou a Moisés (Êxodo cap. 20, vers. 1 ao 17) que é “não cobiçar as coisas alheias”. E daí, o grande temor do povo pela palavra inveja ou de quem ele julga ter a qualidade de invejoso (aquele que é dotado fortemente do sentimento da inveja), pois este poderá ser o seu verdadeiro inimigo, muitas vezes cobiçando o seu maior bem, quer seja este de valor material ou sentimental.


Apesar de serem citados na bíblia, foi no concílio de Trento, na Itália, entre 1545 a 1563, que a pedido do Rei Felipe II, da Espanha e sob a coordenação do Papa Paulo IV, é que esses “pecados capitais” foram fixados como que Leis para que a Igreja Católica conseguisse desacelerar o crescimento do protestantismo na Europa. Porém, já por volta de 1250, o teólogo São Tomás de Aquino se dedicava ao estudo daqueles pecados.


Adão, que significava homem vermelho, pois segundo as sagradas escrituras deus formou-o do barro da terra e, Eva, que significava vida, juntos tiveram Caim e depois Abel. Caim era um lavrador e Abel um pastor de ovelhas. Um dia Caim ofereceu ao Senhor os seus dons dos frutos da terra e Abel ofereceu as primícias do seu rebanho e as gorduras dele derivadas. O Senhor olhou, com um ar de elogio, para Abel e os seus dons, não fazendo o mesmo com Caim, que por causa disso ficou furioso e num ato de inveja, posteriormente, matou o seu irmão (Gênesis cap. 4, vers. 1 ao 16). Talvez, esta tenha sido a primeira conseqüência negativa da inveja sobre a raça humana. A seguir, Adão e Eva tiveram o seu terceiro filho, o Seth, para substituir a Abel, o falecido. A perda de Abel gerou em ambos um sentimento de conquista, de vencer um obstáculo e de repor uma perda, quem sabe não foi este o primeiro ato de inveja positiva que pairou sobre a humanidade?


A inveja também ganhou vários “apelidos”, no decorrer dos tempos. Um dos mais conhecidos nos ditos populares é o olho grande ou olho gordo, de onde surgiu a frase: o olho grande seca a pimenteira. E, realmente, por tratar-se de energia muitas das vezes a pessoa que está com uma energia carregada negativamente, consegue sem perceber “secar a pimenteira” da outra não por maldade e sim pela transmissão desta energia para aquela outra pessoa.


Uma outra frase que seria quem tem olho grande não entra na China, ao meu ver estaria mais ligada a ambição do que propriamente à inveja. Devemos aprender a separar bem o sentimento da ambição, do sentimento da inveja.


Os sete pecados capitais são excelentes instrumentos para o estudo do comportamento humano e, conseqüentemente, da elevação do seu autoconhecimento.


Na medida em que evoluímos na escada da vida, podemos cada vez mais aprender a sentir e discernir a inveja positiva da inveja negativa, onde a primeira nos coloca para baixo, nos faz ficarmos menores, nos alijando cada vez mais do potencial energético de que somos dotados, podendo trazer até mesmo as doenças como a depressão, visto que, no momento em que passamos a ter o outro no limite superior do nosso referencial vamos abdicando da nossa maior amplitude que é a liberdade individual (lembre-se que a sua aura é a casa do seu corpo físico e que quanto mais você a limita, menos espaço você terá no mundo).


No caso da inveja positiva, esta pode nos colocar para cima, nos elevar, dar aquele empurrão inicial para sermos realizadores. Não para buscarmos isso ou aquilo que fulano tem e sim alcançarmos coisas diferentes, não importando de que essas coisas sejam melhores ou piores do que aquelas adquiridas por nossos semelhantes.


Não devemos ter tristeza pelo bem alheio e nem alegria pelo mal do outro. O invejoso negativamente não pode perceber a sua própria luz, ela prejudica a sua auto-estima e cultiva ódio e tristeza. Devemos procurar os nossos próprios sonhos e a nossa felicidade, a inveja deve ser um impulso para a nossa transformação.


Para finalizar, dentro da filosofia moderna da figura do facilitador, sugiro que o nosso grupo venha a fazer um exercício fisicamente muito fácil, porém, psicologicamente muito difícil, pois atinge a cada um de nós na própria essência, mas que com certeza melhoraria a cada um e ao grupo num todo. O exercício é cada um primeiramente citar três dos seus principais defeitos e ouvir, aceitando a opinião de todos os outros e depois, citar três qualidades aceitando também, da mesma forma a opinião do restante do grupo.

Ir. Manoel Guede
A.R.L.S. Septem Frateris 95
Or. Rio de Janeiro RJ

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