MAÇONARIA CARBONÁRIA - MAÇONARIA FLORESTAL

1. A Maçonaria Carbonária existe no Brasil, desde cerca de 1800, por influência sobretudo Francesa e Portuguesa. Perseguida a partir da promulgação da bula condenatória do Papa PIO VII (1821), em todos os países onde funcionava e ativa estava, teve, como alguns de seus introdutores em nosso país, Joaquim do Lêdo e José Bonifácio de Andrada simpatizante da Maçonaria Florestal senão ele próprio maçom e primeiro Grão Mestre da Maçonaria Brasileira, em que pese terem vividos em destacadas rivalidades, segundo alguns historiadores maçons da época. Contudo, também foi vítima, tal qual a ordem da pedra, pela escumunhão da Igreja Católica.

A Carbonária, manteve-se até hoje como corpo maçônico regularmente constituído e representativo da Maçonaria Carbonária Universal, embora tenha permanecido por um longo período sob o manto de inúmeros maçons carbonários, oculta e operante nas Lojas e Obediências diversas, contudo, seu espírito, herança e brio, não se apagou jamais. Existiram, claro está, cisões e divisões como por toda a parte e, em especial, as ocorridas dentro do Grande Oriente e Grande Lojas, como também em outras tantas e sucessivas obediências, mas o seu espírito e esperança prevaleceram, sendo sempre possível restaurar a unidade interrompida.

Reestruturada, regularizada e personalizada jurídicamente como Grande Loja Carbonária do Brasil, desde 1984, a Maçonaria Carbonária, trabalhando no rito florestal, pretende efetivar relações fraternas oficiais com praticamente todas as Obediências do mundo.


Para tanto, os princípios essenciais defendidos hoje pela Grande Loja Carbonária do Brasil, para a existência de uma Loja justa e perfeita podem resumir-se nos sete pontos seguintes:

1. que seja formada por, pelo menos, 7 mestres maçons;

2. que seja dirigida por 3, iluminada por 5 e tornada justa e perfeita por 7;

3. que trabalhe segundo um ritual que utilize os símbolos da construção;

4. que tenha as suas sessões num local fechado e coberto onde se encontrem as colunas J e B, as três grandes luzes entre as quais o esquadro, o compasso, e o canivete, instrumentos do grau e o pavimento em mosaico;

5. que pratique os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre;

6. que a iniciação no grau de Aprendiz, a efetuar sob o sinal do triângulo, compreenda a câmara de reflexões, as provas e a passagem das trevas à luz; que a elevação ao grau de Companheiro Fendedor tenha lugar à luz da estrela flamejante; que a exaltação ao grau de mestre inclua a comunicação da lenda de Hiram; que a cada grau corresponda um compromisso solene;

7. que se considere maçom carbonário todo aquele que tenha sido formalmente iniciado numa loja maçônica justa e perfeita; Além destes princípios essenciais, a Grande Loja Carbonária do Brasil julga importantes e pratica pela sua Constituição e regulamentos, ou recomenda às suas lojas (Vendas), a prática dos seguintes:

8. que exista um grão-mestre eleito pelo povo maçônico carbonário;

9. que o grão-mestre tenha o direito de presidência em toda e qualquer reunião maçônica carbonária;

10. que o grão-mestre possa, se necessário, criar maçons carbonários e conferir graus;

11. que o grão-mestre possa autorizar a criação de lojas (Vendas);

12. que os irmãos (Bons Primos), tenham o direito de estar representados nas reuniões gerais maçônicas carbonárias, através das respectivas lojas (Vendas);

13. que cada irmão tenha o direito de apelar, para um corpo superior, das decisões da sua loja (Venda);

14. que cada irmão tenha o direito de visitar e tomar assento em qualquer loja (Venda);

15. que os visitantes sejam maçonicamente examinados antes de admitidos em qualquer loja (Venda);

16. que cada loja (Venda), não se intrometa em assuntos internos de outra nem confira graus a irmãos que não sejam do seu quadro;

17. que cada irmão esteja sujeito à Constituição, leis e regulamentos da Grande Loja Carbonária do Brasil;

18. que todo o candidato à iniciação seja isento de defeitos e mutilações e maior de 18 anos;

19. que cada loja trabalhe sob a invocação do Sagrado Mestre do Universo, cabendo a cada irmão plena liberdade de interpretar, religiosa ou filosoficamente, aquele conceito;

20. que a terceira das três grandes luzes indicadas no ponto 4. dos princípios essenciais, seja o Livro da Lei, representado pela Bíblia Sagrada;

21. que todos os maçons carbonários sejam iguais dentro da loja (Venda), onde trabalham, independentemente das suas diferenças na sociedade pagã;

22. que os conhecimentos adquiridos por iniciação nos vários graus sejam mantidos secretos e só comunicados a outros irmãos;

23. que se aceitem os ensinamentos simbólicos da Maçonaria em geral como ciência especulativa com profundo objetivo moral.

Assim, a Grande Loja Carbonária do Brasil, atém-se na sua quase totalidade aos 25 landmarks tradicionais da lista compilada pelo maçom norte-americano Albert G. Mackey, pondo apenas restrições aos nos. 1 (processos de reconhecimento), 18 (só no que respeita à proscrição absoluta das mulheres. Quanto ao 25o. e último landmark (inalterabilidade dos próprios landmarks), considera-o um absurdo histórico e filosófico de raiz dogmática, já que a mudança dos tempos tudo obriga a rever, corrigir e alterar.


3. A Grande Loja Carbonária do Brasil, conta hoje com lojas (Vendas) e triângulos (Choças), distribuídas e em organização por grande parte do território brasileiro.

Todas as Lojas (Vendas), da G.'.L.'.C.'.B.'. trabalham presentemente no Rito Florestal baseado nos de 1807, 1818 e 1822, então praticados em Itália, França, Portugal e Brasil, mas nada impede que outros ritos possam vir a ser introduzidos se as Lojas assim o entenderem.

4. A Grande Loja Carbonária do Brasil, rege-se pela Constituição de 1984, explicitada por um Regulamento Geral.

À frente da Grande Loja Carbonária do Brasil, encontra-se o Grão Mestre Geral, eleito por um período de três anos por sufrágio direto dos IIr.'. decorados com o grau de Mestre. Substituem-no nos seus impedimentos e coadjuvam-nos um Grão-Mestre Adjunto e o Grande Orador eleitos por igual período de tempo e pela mesma forma. Completa o executivo um Conselho da Ordem de membros eleitos no triênio formados também pelos Past Masters, formando assim a Alta Venda Carbonária. Este conselho reúne-se periodicamente e trata de todos os assuntos de caráter administrativo e executivo.

Com poderes sobretudo legislativos existe portanto, a Alta Venda, constituída pelos Veneráveis e todas as lojas (Vendas), e por representantes de cada loja (Venda), eleitos anualmente por todos os IIr.'. que a compõem.

A Justiça Carbonária é exercida, em primeira instância, dentro das próprias lojas (Vendas). Em segunda instância, funciona um Grande Tribunal, composto por cinco juízes, eleitos pela Alta Venda Carbonária.

5. A sede da Grande Loja Carbonária do Brasil, é em Curitiba, Estado do Paraná no chamado Castelo dos Carvoeiros da Floresta Negra, localizado na Rua dos Carvoeiros, s/n. Bairro São Pedro (próximo à ponte do Rio Passaúna – Divisa de Campo Magro. Trata-se de uma Venda Carbonária, que funciona nos moldes da Carbonária Antiga, em meio a uma Floresta (Um Alqueire) adquirido pelos maçons carbonários recentemente. Lá, projeta-se a construção de um Castelo ao estilo medieval, cuja área estima-se em 1500 m2, onde funcionarão Lojas e Vendas, tendo em suas torres, diversas salas de aula, alojamentos, refeitórios, cozinhas, praça de esportes e lazer. Serão recolhidos inicialmente, 60 menores abandonados, entre 08 e 12 anos de idade, que receberão ensino e atendimento em período integral, além da assistência aos seus familiares.

Desde 15 de Janeiro de 2004, se trabalha dioturnamente para a efetivação do mencionado projeto, restituindo à Maçonaria Carbonária a dignidade e a característica que a fez reconstruir e onde se voltaram a reunir as lojas (Vendas), Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi, Benso d`Cavour, todas de Curitiba, a partir deste ano.

O Palácio Maçônico Carbonário, constará de uma construção com 320 m2, contendo uma Torre de três andares, onde primeiro estarão localizados os serviços administrativos, a biblioteca e o arquivo. O segundo será ocupado pelos gabinetes dos Veneráveis e GMG. O terceiro destinar-se-á as secretarias de lojas.

Em outras torres, funcionarão a Academia Maçônica Carbonária de Letras, Arte e Cultura do Brasil, além de outras entidades culturais e benéficas, legalmente constituídas e que servirão de ligação oficial entre a Maçonaria e o mundo pagão. Nelas se acharão também o Museu da Carbonária, salas para convívio, banquetes e um bar restaurante.

6. O Rito Florestal Carbonário, foi introduzido em Portugal pela França e Itália, antes mesmo de 1800, sendo sabido que José Bonifácio de Andrada, Joaquim do Lêdo, Alm. Tamandaré e tantos outros, iniciaram-se na Maçonaria Florestal como o faziam os cientistas e naturalistas da época. Não dispõe de um Supremo Conselho do Grau 33, todavia, com ajuda de vários Maçons investidos no Gr.'. 33, hoje Bons Primos, preparam a sua introdução nos estudos dos graus filosóficos do 4. ao 33 do REAA, adaptado.

É certo e tradicional, o ramo andrógeno da Carbonária, composto de um corpo feminino, totalmente subordinado à A.'.V.'.C.'.B.'., todavia, de atividade livre e independente, praticando o mesmo Rito Florestal, a exemplo da R.'.V.'.M.'.C.'.F.'. Anita Garibaldi, n. 03 na Floresta de Curitiba-Pr.

Assim, não admite a Maçonaria Carbonária, desavenças, intrigas e maledicências entre seus IIr.´. e Bons Primos, primando pela verdadeira união em todos os aspectos, pela Liberdade, Igualdade e Humanidade em todos os sentidos, e pela soberania da pátria que nos serve de abrigo, cientes do dever e da herança republicana e guardiã dos direitos e protetora dos desvalidos da sorte. Afinal, se hoje, grande parte do países democráticos do mundo gozam de liberdade, igualdade e fraternidade, é certo que se faz graças aos punhaiss da Carbonária do passado.

A abolição da escravatura no Brasil, teve a indeclinável e decidida participação das Lojas Maçônicas Carbonárias do passado, inclusive a ativa participação da Carbonária Italiana e Portuguesa na luta pela independência do Rio Grande do Sul, contra o despotismo e monarquia feudal experimentada pelo Brasil, nos idos de 1835 à 1845, já que Dom Pedro II, não era Maçom Carbonário, como o foi Dom Pedro I.

“O Maçom que não respeita a liberdade de associação de seus pares, discrimina potências ou ritos de outras sociedades secretas mas de idêntica filosofia (entre outros disparates), é um déspota digno do mais profundo desprezo. Usa indevidamente a condição de Ir.'. e apregoa falsamente moral que não lhe faz juz"

Por isso, à

Grande Loja Carbonária
do Brasil

Na forma de Maçonaria Florestal é uma Ordem Universal formada de homens de todas as raças, credos e nacionalidades, escolhidos por iniciação e congregados em lojas (Vendas) nas quais por métodos ou meios racionais auxiliados por símbolos e alegorias, estudam e trabalham para a construção da sociedade humana; Fundada no Amor Fraternal, na Esperança, na Fé e na Caridade, que com Tolerância, Virtude e Sabedoria, com a constante livre investigação, com o progresso do conhecimento humano das ciências e das artes, dentro dos princípios da Moral, da Razão e da Justiça, o Mundo alcance a PAZ UNIVERSAL.

"O SEU DEUS É TAMBÉM O NOSSO DEUS"

A GRANDE LOJA CARBONÁRIA DO BRASIL (ALTA VENDA CARBONÁRIA), trabalhando sob as doutrinas puras da Moral, da Razão e da Justiça, sociedade simbólica e iniciática, adota rito litúrgico universal, que tem por base os seguintes

P R I N C Í P I O S :

1. A Maçonaria Florestal, proclama, com vem fazendo desde a sua origem, a existência de um Princípio Criador, sob a denominação de "Sagrado Mestre do Universo".

2. A Maçonaria Florestal, não impõe limite à livre investigação da verdade e à liberdade de pensamento e consciência, defendendo a mais plena liberdade de expressão e de pensamento como direito fundamental e inalienável do ser humano, e é para garantir a todos a amplitude dessa liberdade que ela exige a tolerância.

3. A Maçonaria Florestal, é acessível aos homens e mulheres de todas as raças e de quaisquer crenças religiosas, credos políticos, sistemas filosóficos e ideológicos, desde que sejam livres e de bons costumes.

4. A Maçonaria Florestal, combate a ignorância, a superstição e a tirania, e qualquer forma de pré-julgamento do ser humano baseado em raça, religião ou credo político, ideológico ou filosófico e a discriminação.

5. A Maçonaria Florestal, condena a exploração do homem pelo homem, o cerceamento por qualquer forma da liberdade, os privilégios e regalias indevidas, a hipocrisia, mas, enaltece o mérito da inteligência, a prática da virtude, bem como o valor demonstrado na prestação de serviço à Ordem, à Pátria e à Humanidade.

6. A Maçonaria Florestal, por ser uma entidade mediadora nos choques ideológicos entre os homens e mulheres, permite as discussões em suas Vendas, acerca das matérias que mereçam o apoio da Ordem e dos Bons Primos, nas causas da Liberdade, Igualdade e Humanidade, e a Soberania da Pátria!

Assim Proclamado:

Como de fato proclamada tem, a Maçonaria Carbonária por todo o conteúdo supra exposto, não busca reconhecimento de sua regularidade maçônica com outros corpos, mas sim, amizade, paz e prosperidade entre todos os IIr.'., de sorte que, para tanto, coloca-se de P.'. e a O.'. para todas as OOb.'. com sinceridades de propósitos, reiterando e enaltecendo o Landemark 14, onde estarão os nossos Templos receptivos as visitas dos AAm.'. IIr.'. de todo o Orbe, na certeza do apreço e do carinho fraternal que gozarão numa sociedade de Bons Primos, os encantos da igualdade!

Dado e traçado em algum lugar do Templo de Jerusalém, aos três Sóis, da Quinta Lua, do ano da Graça de N.'. B.'.Pr.'. Jesus Cristo, de 2004 e sob os auspícios de N.'.P.'. São Teobaldo - E.'.C.'. na Gr.'. Flor.'. da Maç.'. Flor.'. Brasileira.

 


A Gloria del Gran Maestro dell’Universo e del Nostro Protettore San Teobaldo


BONS PRIMOS
..
José Brandão abre o seu livrinho “Carbonária, o exército secreto da República” (Perspectivas & Realidades, Lisboa, 1984), comentando que ainda hoje se sabe muito pouco dessa sociedade secreta. Além de se saber pouco, a historiografia costuma atribuir aos bons irmãos maçons grande parte das acções praticadas pelos bons primos carbonários. Se a sociedade secreta causa calafrios a muita gente, a Carbonária tem um perfil susceptível de arrepiar ainda mais. Por isso a própria maçonaria reprovou o carbonarismo, alegando que optara pelo caminho substituído: em vez de seguir a via espiritual, tinha enveredado pela acção francamente política. Do lado da Igreja também houve condenação dos Carvoeiros, através da encíclica Ecclesiam, de Pio VII, em 1821.

No meu caso pessoal, lido com textos, e os textos têm aspectos condenáveis e louváveis. Além disso, como vou mostrar, muito pouco neles é prova suficiente para os considerar assinados por carbonários. Mas o meu desejo é de facto aprofundar o conhecimento da cultura carvoeira para melhor me aproximar da floresta que lateja no naturalismo.

A Carbonária, também chamada Maçonaria da Madeira e Maçonaria Florestal, em paralelo com a Maçonaria da Pedra, é o ramo desta que, em Portugal, desencadeou a implantação da República, e garantiu a sua integridade nos primeiros anos. A partir daí, é geralmente considerada extinta pelos historiadores. Este desaparecimento não é radical, a sociedade pode ter encerrado, mas os seus membros sobreviveram, com a bagagem de conhecimento nela adquirido. Ora o conhecimento é uma casa com porta única: o que por ela entra, tem como destino ser transmitido. É isso a traditio: passagem de testemunho.

Por muito que a Carbonária Portuguesa esteja extinta, o que não é assim tão fácil de aceitar, algo dela sobrevive. Pelo menos como discurso clandestino, pois já detectámos a sua presença em textos posteriores à República (1), e mesmo num, de Fernando Frade, datado de 1946 (2). Ao de Fernando Frade, no qual é muito insistente o uso das expressões “barraca” e “barraca improvisada”, já me referi em trabalho publicado no TriploV, e também numa webpage carbonária (3).

“Barraca” e “choça” designam hierarquias na agremiação da Maçonaria da Madeira. Implicam, na sua construção, o emprego da matéria-prima em cujo símbolo assenta a sociedade (o termo Carbonária provém de carbono, carvão, produto vegetal). Essa matéria-prima, homóloga da pedra, é a madeira. Como então disse, a barraca e a choça constituem um topos muito característico da narrativa de viagens empreendidas pelo naturalista. Invariavelmente, é obrigado a pernoitar ou a viver nelas uns dias. É assim que o explorador italiano Leonardo Fea, no seu périplo pela África ocidental, tem de improvisar a sua com algumas tábuas e pedaços de vela, no ilhéu Branco, em Cabo Verde. Na ilha de Ano Bom, no Golfo da Guiné, o topos repete-se, de modo mais insinuante, por unir o que de facto está intimamente unido em termos simbólicos, a barraca e o templo:

“Nell'unica Missione di quest' isola non è posto per lui ed è costretto a rifugiarsi in una capella, o meglio in una baracca sdruscita e lurida” (4).

A bandeira verde e vermelha da Carbonária, com ligeiras alterações de caracteres, é a que ainda hoje simboliza Portugal. Diversamente da Maçonaria da Pedra, a da Madeira inclui membros de todos os estratos sociais, mulheres também, e sobretudo recrutou operários e outros trabalhadores, no período anterior à República. O que melhor caracteriza esta sociedade secreta é o facto de operar como exército, quando a solicita alguma grande campanha social ou política, como aconteceu sob a liderança de Garibaldi na unificação da Itália, e entre nós com a queda da monarquia, daí que José Brandão o declare logo no título da sua obra.

Então o bom primo é um cavaleiro da modernidade, não usa espada porque já não vive no tempo dela, mas é-lhe exigida a posse de arma de fogo e respectivas munições. O seu ideário é idêntico ao da maçonaria, defende o lema celebrizado pela Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade (ou Humanidade, em versões carbonárias actuais).

A Maçonaria da Madeira não existe de forma independente, é uma ala armada da maçonaria em termos gerais. Se bem que a Carbonária seja secretíssima, algumas evidências se lhe conhecem, entre elas, essa: todos os carbonários são maçons, mas nem todos os maçons são carbonários. Nos textos do naturalismo, são frequentes as assinaturas e as marcas maçónicas, mas algumas participam especificamente da simbólica carbonária, casos da iniciação na floresta, e do templo construído à sombra das suas frondosas árvores.

Em relação às marcas maçónicas universais, já tenho falado de várias. Nunca falei da prancha nem da raiz, termos que designam o ofício, uma peça de oratória, o primeiro termo na Maçonaria da Pedra, e raiz na Carbonária. Não me apercebi ainda da existência desta palavra nos textos, a não ser, claro, no seu sentido próprio em Botânica. Já a prancha solicita às vezes atenção, por a vermos em contexto invulgar. Se é comum para designar imagens, na linguagem oral mais do que na escrita, esse uso exprime-se em francês e não português: planche. Nós, portugueses, para além de “estampa”, “imagem”, “ilustração”, etc., também dizemos “planche”. Então, quando ocorre a palavra “prancha” para designar as estampas de um livro (ou noutras circunstâncias), isso soa a marca maçónica do texto.

Dez anos após a publicação do livro de José Brandão, julgo que não se saiba muito mais sobre a Carbonária em Portugal, além do que eu mesma tenho revelado, não do ponto de vista do historiador, sim do exegeta de textos dos naturalistas. A principal razão para se saber tão pouco decorre do seu grande secretismo. No meu caso, da circunstância de o bom primo usar a simbólica geral da maçonaria, raramente sendo óbvia a da sua tradição própria, fundada em grande parte no léxico do Reino das Plantas. Na Botânica, as marcas até podem ser óbvias, receio porém que só o botânico simultaneamente iniciado no carbonarismo as detecte com facilidade. Para o profano que pouco ou nada sabe de Botânica, como é o meu caso, as marcas, a existirem, confundem-se com o discurso normativo sobre o jardineiro, o lenhador e o rachador.

O botânico e o silvicultor falam naturalmente da raiz, do tronco, da árvore frondosa, ou invocam possíveis parentes como o primo Carvalho, o primo Oliveira, etc., sem que isso provoque sobressaltos à leitura ingénua: como saber se o autor não tem realmente um primo chamado Olmo e outro chamado Acácio? Só quando há forte baralhação dos graus de parentesco, e já temos visto autores chamarem sobrinhas às primas, uma criatura começa a desconfiar. Para funcionarem como alerta, é necessário que tais elementos se comportem de forma anómala no contexto - por excesso, defeito, ou deslocação abrupta do sentido. O texto que eu diria mais tipicamente carbonário que já me passou pelas mãos, mas do qual ainda só coligi alguns exemplos dispersos, é o livro-artigo de Júlio Henriques sobre São Tomé, relato de uma viagem à ilha anos antes da República, mas publicado só em 1917, seis anos depois da sua implantação (5). Diria isso, mas é difícil a comprovação. Já é fácil provar a sua instrumentalidade subversiva, em todos os domínios em que se inscreve um livro.

A dificuldade que se levanta à análise mais extensa é justamente o facto de Júlio Henriques ser botânico, e por isso não serem perceptíveis, ou invocáveis como provas pelo não botânico, os elementos lexicais do livro que, participando em simultâneo das semânticas do mundo vegetal e da Maçonaria Florestal, se encontram no contexto desviados do sentido botânico. Estando desvinculados do sentido normal da Botânica, então é porque a sua comunicação se exerce no interior da semântica carbonária. Uma das passagens do livro mais impregnada emocionalmente é aquela em que fala das derrubadas, o abate das árvores. Mas em São Tomé não havia nada de menos espiritual nem de mais materialista do que destruir a floresta para ganhar terreno onde se pudesse cultivar o café e o cacau. Nada permite então considerar esse tipo de relato como próprio de um autor que nele visa deixar as marcas da sua identidade carbonária. Mas elas estão lá, quanto mais não seja, por inevitabilidade da polissemia: quem abate as acácias com o machado é o rachador, sejam autor e rachador iniciados ou não.

Um elemento tão deslocado como o psicómetro, que Júlio Henriques emparelha com o pluviómetro e com o termómetro, em discurso sobre a meteorologia, é uma machadada subversiva no texto, mas em nada se relaciona com a semântica carbonária. Já a pontuação, e sobretudo os acentos gráficos desviantes, sim. Oliveira Marques refere algures que os carbonários dispõem de escrita com sinais característicos, o que contempla decerto estes aspectos gráficos, resta porém descobrir algum caderno de notas que nos industrie na sua gramática, para além daquilo que é do conhecimento público, como os três pontos em triângulo com o vértice apontado para baixo, em V, ao contrário do que acontece na Maçonaria da Pedra. O alfabeto maçónico é conhecido, o carbonário, nunca vi.

Entre as poucas marcas indubitavelmente carbonárias, a mais expressiva verifica-se na adopção do próprio nome como elemento constitutivo do binómio lineano, ou da localidade de que são originários os exemplares a partir dos quais foram feitas descrições de novas espécies para a ciência. No primeiro caso, temos as espécies carbonaria, carbonerae, carbonema, etc., no segundo os topónimos Carvoeiro, Carbonera e afins. Os topónimos, só por si, pouco identificam. Em princípio, admito que sejam, ao menos alguns, anteriores ao aparecimento da instituição maçónica. Mas há outros de cuja origem não descobri rasto, relativos a acidentes geográficos mínimos, o que me leva a crer que tenham sido criados pelos próprios naturalistas.

É preciso que haja vários elementos simbólicos no texto, ou que o próprio contexto os ilumine, para os aceitarmos como assinatura. Assim, chamam a atenção certos excessos, como as abundantes referências ao carvão na literatura de ou sobre exploradores-naturalistas, nos jornais das últimas décadas do século XIX, e nas memórias descritivas de territórios ultramarinos. Há um ilhéu minúsculo e desabitado, o ilhéu de Santa Maria, face à cidade da Praia, em Cabo Verde, para o qual alguma literatura remete dois factos incomuns. O primeiro pertence mesmo à esfera do maravilhoso: refere-se a existência de cágados no ilhéu. Que eu saiba, os cágados ainda não fizeram a sua espectacular aparição na fauna de Cabo Verde. Estes animais são dulciaquícolas, o arquipélago é desértico e no ilhéu de Santa Maria nem sequer há água doce. O outro facto é em aparência banalíssimo, e só por força de tal banalidade se torna insólita a informação de nele ter existido outrora um depósito de carvão. O que há de extraordinário no ilhéu? Só se for uma espécie de osga descrita a partir de exemplares coligidos em Bornéu, que deve ter sido largada em Cabo Verde por algum comandante de navio que as levava de presente para as primas, filhas da sua querida esposa: Tarentola borneensis.

E é assim: os jornais assinalam a chegada de navios com carregamentos de carvão, a literatura dos exploradores nunca se esquece de assinalar locais, na costa ocidental africana, onde existiam depósitos de carvão, e ainda menos se esquece de referir topónimos formados sobre a raiz carbono, mesmo quando dificilmente os lugares assim chamados seriam visíveis, dada a distância e as condições atmosféricas. Refiro-me a um relato de subida ao Pico de Clarence, em Fernando Pó. O herói, salvo erro Rogozinski, um explorador tão problemático que a sua escalada é considerada viagem de recreio e piquenique pelos críticos mais impiedosos, uma vez alcançado o cume, quase sempre envolto em névoa, admira a paisagem até aos confins do horizonte, e consegue avistar, ao longe, um navio ancorado na Baía Carbonera (1). Era de certeza o navio que transportava para Cabo Verde as osgas de Bornéu.

A maior parte das situações que evocam iniciação na floresta, com as quais construí o modelo da narrativa do explorador-naturalista nas montanhas de África, no texto “Esoterismo e História Natural” (3), provêm da literatura sobre as explorações em São Tomé e Fernando Pó (Bioko, actualmente). Voltarei a elas logo que tenha tempo, pois há um relato da descoberta do lago Loreto, em Fernando Pó, para pôr em linha, que vai regalar os bons primos, os bons irmãos, os bons frades, os bons naturalistas e quaisquer outros bons leitores.
.
Notas
(1) GUEDES, Maria Estela & Nuno Marques Peiriço (1998) – Carbonários, Operação Salamandra. Contraponto, Palmela. Em linha no TriploV e em http://hybris.no.sapo.pt/
(2) FRADE, F. Amélia Bacelar & Bernardo Gonçalves (1946) - Relatório da missão zoológica e contribuições para o conhecimento da fauna da Guiné Portuguesa. Separata dos Anais da Junta de Investigações Coloniais, Lisboa, Vol. I. Trabalhos da Missão Zoológica da Guiné (1-5): 259-416. Fragmentos e imagens em linha: triplov.com\hist_fil_ciencia\bissau\
(3) GUEDES, Maria Estela (2004) – Esoterismo e História Natural. Comunicação apresentada ao colóquio internacional “Natural?! O que é isso?”. Org. Do TriploV, Instituto São Tomás de Aquino e revista Atalaia-Intermundos, do Centro Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade de Lisboa. Em linha no TriploV e em www.carbonaria.org. (acesso reservado).
(4) GESTRO, R. (1904) - Leonardo Fea ed i suoi viaggi. Cenni biografici. Annali dei Museo Civico di Storia Naturale, Genova, (3) I: 41.
(5) HENRIQUES, J. (1917) - A ilha de S. Tomé sob o ponto de vista histórico-natural e agrícola. Boletim da Sociedade Broteriana, 27.
Maria Estela Guedes
PORTUGAL 12.06.2004

-------------------------------------------------------------------


A CARBONÁRIA EM PORTUGAL


1. INTRODUÇÃO Abordar este tema é uma tarefa complicada, difícil, resultante da escassez de documentos, fruto natural de uma sociedade secreta. Porém, a sua acção deixou marcas profundas na sociedade portuguesa, se atentarmos sobretudo, que a Implantação da República foi fruto da Carbonária, e como em tudo na vida, a causas seguem-se consequências...
Muita gente confunde Maçonaria com Carbonária, ou pelo menos, associa uma destas sociedades à outra. No entanto esta associação não se aparenta assim tão linear e muito menos a Carbonária funcionou como o braço armado da Maçonaria como se tem escrito e falado.
Embora não fossem carbonários todos os maçons, a Carbonária foi muitas vezes uma associação paralela da Maçonaria.
Introduzida em Portugal entre 1822 e 1823, manifestou a sua dinâmica social e política quando do Ultimato inglês em 1890 e de sobremaneira quando do desaire da revolta republicana de 1891 e posteriormente em 1908 quando no Porto foi abortada outra revolta.
O inicio da sua actividade em Portugal, prende-se, sem dúvida, com antecedentes próximos, com o estado de governação despótica exercida pelo marechal britânico Beresford, que colocou a nação a ferro e fogo durante mais de uma década. É bom recordar, que entre as suas vítimas se encontrou o marechal Gomes Freire de Andrade, Grão Mestre da Maçonaria Portuguesa, enforcado no Forte de S. Julião da Barra, junto com outros companheiros, acusados de conspiração com a sua governação.
Efectivamente, desde 1808, data em que por via das invasões francesas a corte procurou refúgio no Brasil, o País passou a colónia brasileira. Porém, a verdade, é que após a ajuda dos exércitos britânicos para a expulsão das tropas napoleónicas, Portugal passou a ser governado pela Inglaterra.
Para parte do povo, vivia-se em estado de orfandade - os soberanos, "os paizinhos" estavam longe... - para outra enorme fatia da população, a monarquia portuguesa encontrava-se desacreditada.
A Carbonária funcionava como uma organização secreta com objectivos políticos e tinha por defesa fundamental, a liberdade pública e a perfeição humana. Era declaradamente anticlerical e adversária das congregações religiosas, o que não significa que os seus membros fossem ateus. Estes homens, procediam maioritariamente das classes baixas, havia no entanto no seu seio, elementos das classes média e alta. Todos eles recebiam treino militar e defendiam o recurso às armas.
A sua extinção surgirá na sequência das divisões verificadas no interior do Partido Republica Português e do triunfo da revolução do 28 de Maio de 1926 que pôs fim à 1ª República.
2. ORIGENS DA CARBONÁRIA EM PORTUGAL A Carbonária italiana serviu de figurino à Carbonária Portuguesa. Efectivamente foi em Itália que nasceu a Maçonaria Florestal ou Carbonária, onde a primeira foi recolher os seus princípios.
Segundo alguns autores, esta associação secreta remonta ao século XIII, época em que apareceram em Itália os primeiros carbonários, ligando-se à continuação das lutas que se haviam travado na Alemanha entre os Guelfos, partidários do Papa e os Gibelinos, partidários do imperador. Aqueles não queriam a interferência de estrangeiros nos destinos de Itália; estes, defendiam o poder do império germânico. A luta durou até ao século XV. Os Guelfos reuniam no interior das florestas, nas choças dos carvoeiros, daí a designação de carbonários. No entanto, outros autores referem a origem desta sociedade secreta em épocas mais recentes.
A verdade, é que foi em Itália sem dúvida, que a Carbonária ganhou contornos, o rosto de que ouvimos falar, consubstanciada com o aparecimento da "Jovem Itália" de Mazzini, fundada em 1831 em Marselha.
No entanto, apesar dos esforços de Garibaldi, Cavour e Mazzini, a Carbonária não conseguiu proclamar a República, porém, dois enormes trunfos foram alcançados: a unificação da Itália e a abolição do poder temporal do Papa.
Em Portugal, Fernandes Tomás, José Ferreira Borges, Borges Carneiro e Silva Carvalho entre outros, fundaram em 1818 uma sociedade secreta (uma pequena Carbonária) a que chamaram Sinédrio, que preparou e fez eclodir a revolução liberal de 1820. Em 1828, um reduzido número de estudantes da Universidade de Coimbra organizou um núcleo secreto, de cariz carbonária, com o título de "Sociedade dos Divodignos", com a finalidade de combater a monarquia absoluta de D. Miguel.
Denunciados por lentes dessa Universidade, perseguidos pelo rei caceteiro, a maioria acabou tristemente na forca, outros emigrados. Um destes, foi encontrado no Algarve, completamente miserável, transfigurado, exercendo a profissão de caldeireiro ambulante, não se sabendo dele o nome nem o seu fim.
O presidente desta sociedade era um sextanista da faculdade de Direito, que emigrado na Bélgica por lá faleceu. Chamava-se: Francisco Cesário Rodrigues Moacho.
Em 29 de Maio de 1848, fundou-se em Coimbra a Carbonária Lusitana. Foi seu "patrono" António de Jesus Maria da Costa, um padre anti-jesuíta, de nome simbólico Ganganelli. Abrindo as portas e fechando, encerrou-as por longo tempo em 1864.
Por volta de 1850-1851, teve sede em Lisboa uma Carbonária com o nome de "Portuguesa", dividida em secções chamadas choças, ou "lojas-carbonárias". Esta carbonária foi de curta duração.
Pela Segunda metade do século XIX, surge em Portugal a Maçonaria Académica, que se irá transformar em Carbonária. As Lojas Independência, Justiça, Pátria e Futuro passaram a Choças, sendo os seus membros divididos em grupos de vinte. Cada um desses grupos ou choças adoptou um nome diferente. Foram assim criadas vinte choças, presididas por uma Alta Venda provisória.
Em breve, esta Carbonária foi integrada por elementos populares que foram sendo iniciados na antiga rua de S. Roque, 117, último andar, em Lisboa, sede provisória da Carbonária Portuguesa. A primeira Choça popular teve o nome República, seguindo-se a Marselhesa, Companheiros da Independência, Mocidade Operária e Amigos da Verdade entre outras.
As diferentes secções da Carbonária tinham as seguintes denominações: Choças, Barracas, Vendas e Alta Venda.. Os Bons Primos, que pertenciam às Choças, possuíam os graus primeiro e segundo (Rachadores e Carvoeiros) e eram presididos por um carbonário decorado com o terceiro grau; Mestre. Às Barracas e Vendas só pertenciam os Mestres, presidentes dum certo número de Choças ou Barracas.
Na verdade, tanto a Carbonária Lusitana (antiga e moderna) como a Carbonária Portuguesa, foram geradas no seio dos estudantes universitários.
Na Carbonária encontravam-se Primos de todas as classes sociais: médicos, engenheiros, advogados, professores de todos os ramos de ensino, estudantes, oficiais e sargentos das forças armadas, funcionários públicos, proprietários, lavradores, administradores de concelho, actores, lojistas, comerciantes, polícias, operários, etc.. Havia de tudo, de Norte a Sul do País. No Algarve, os núcleos mais importantes encontravam-se em Silves, Faro e Olhão. O seu rosto visível - embora o não fosse aos olhos de profanos - eram os centros republicanos.
Havendo já bastantes Mestres, fundou-se a Venda Jovem Portugal. A Loja maçónica Montanha, fundada por Bons Primos, foi o veículo da Carbonária dentro da Maçonaria. Outras Lojas maçónicas com o mesmo cariz se lhe seguiram.
3. A ORGANIZAÇÃO CARBONÁRIA Os carbonários ou bons primos, tratavam-se por tu e davam-se a conhecer por meio de sinais de ordem, senhas, contra-senhas, apertos de mão e cumprimentos especiais com o chapéu. Usavam distintivos e possuíam armas de fogo para a sua defesa. - Os rachadores e os carvoeiros usavam uma folha de carvalho na lapela. - Os mestres, cintos com as cores do seu grau em aspa, e punhal. - Os mestres sublimes usavam além do cinto, um colar de moiré e com as cores carbonárias do último grau, tendo pendente um pedaço de carvão cortado em aspa. - O símbolo solar com 32 raios, era o distintivo superior da Ordem, sendo unicamente usado nas várias sessões magnas pelo Grão-Mestre. - A estrela de cinco pontas representava o Bom Primo.
4. A ESTRUTURA DA CARBONÁRIA Só o Grão-Mestre Sublime e a Alta Venda conheciam toda a organização sem desta serem conhecidos, o que garantia o secretismo desta organização, reforçado pela rígida hierarquia e pelo ritual iniciático que contemplava o uso de balandraus e de capuzes, caveiras, tíbias, etc..
Desde a sua criação até ao seu fim, a Carbonária Portuguesa teve oito Alta Venda, tendo sido seu Grão-Mestre em todas elas, Luz de Almeida.
De todas a mais importante foi a Sexta, pois foram os seus elementos que participaram decisivamente no 5 de Outubro de 1910, na ausência de Luz de Almeida, então exilado em França.
5. A INICIAÇÃO As iniciações faziam-se nalguns Centros Republicanos - onde, aliás, se encontrava grande parte dos Bons Primos carbonários - mas de preferência em escritórios e casas particulares, quando temporariamente desabitadas, ou ainda, em armazéns, caves e até em cemitérios a altas horas da noite.


Os que presidiam às iniciações vestiam-se de balandrau com orifícios no capuz. O venerável carbonário que presidia era assistido pelos seguintes Bons Primos: primeiro secretário (primo Olmo); o segundo secretário (primo Carvalho); o primeiro vogal (primo Choupo) e o 2º vogal (guarda externo).
Era a este último que incumbia o secretismo das sessões, alertando ao mínimo movimento suspeito nas imediações.

PAINÉIS DOS GRAUS

 


TÁBOAS DOS GRAUS


O neófito era vendado à entrada pelo bom primo Choupo, depois do interrogatório e após o juramento, se era aceite, assinava então o seu compromisso de honra, muitas vezes com o próprio sangue, como se segue: "Juro pela minha honra de cidadão livre guardar absoluto segredo dos fins e existência desta sociedade, derramar o meu sangue pela regeneração da Pátria, obedecer aos meus superiores e que os machados dos rachadores de cada canteiro se ergam contra mim se faltar a este solene juramento".
Quanto ao bom primo Carvalho, lia os estatutos, em que referia que: "...os associados deviam obedecer cegamente às ordens que lhes fossem dadas; guardar segredo tão absoluto que nem às próprias famílias podiam revelar tudo quanto se passasse nas assembleias; que deviam ser astuciosos, perseverantes, intrépidos, corajosos, solidários, destemidos e valentes...".
6. CONCLUSÃO A Carbonária foi uma sociedade secreta, política, organizada de modo a poder admitir elementos de todas as classes sociais, desde as mais elevadas às mais baixas. Diferia substancialmente da Maçonaria, esta mais tolerante em política e religião, e de carácter burguês.
Sem dúvida que a Carbonária Lusitana e a Maçonaria divergiam substancialmente. Nem todos os Bons Primos eram maçons. A mais importante Loja maçónica que fazia a ponte para a Carbonária era a Loja Montanha. Aliás, esta Loja era uma irradiação da Carbonária, tendo chegado a estar fora da obediência do Grande Oriente.
Embora tivesse favorecido e patrocinado a Revolução Republicana, a Maçonaria não foi a sua alavanca, mas sim a Carbonária. O baluarte da Revolução encontrava-se implantado na zona ribeirinha de Lisboa, muito embora abarcasse todo o País, num total de mais de 40 000 membros. Com a revolução triunfante, a Carbonária dissolve-se em bandos e clientelas políticas, sobretudo na busca de empregos, desfazendo-se assim, o espírito igualitário e fraterno cimentado por anos de luta.

Emmanuel

 

GRANDES VULTOS DA MAÇONARIA CARBONÁRIA ITALIANA


Camilo Benzo
Giusepe Garibaldi
 

 

=============================================================================

 

La bolla di scomunica


"ECCLESIAM A JESU"
PIO VESCOVO
SERVO DEI SERVI DI DIO A PERPETUA MEMORIA


2. La Chiesa fondata da Gesù Cristo Salvatore Nostro sopra solida pietra (e contro di essa Cristo promise che non sarebbero mai prevalse le porte dell’inferno) è stata assalita così spesso e da tanti temibili nemici, che se non si frapponesse quella promessa divina che non può venir meno, vi sarebbe da temere che essa potesse soccombere, circuita dalla forza o dai vizi o dall’astuzia. Invero, ciò che accadde in altri tempi si ripete anche e soprattutto in questa nostra luttuosa età che sembra quell’ultimo tempo preannunciato in passato dall’Apostolo: "Verranno gli ingannatori che, secondo i loro desideri, cammineranno nella via dell’empietà" (Gd 18). Infatti nessuno ignora quanti scellerati, in questi tempi difficilissimi, si siano coalizzati contro il Signore e contro Cristo Figlio Suo; costoro si adoperano soprattutto (sebbene con vani sforzi) a travolgere e a sovvertire la stessa Chiesa, ingannando i fedeli (Col 2,8) con una vana e fallace filosofia e sottraendoli alla dottrina della Chiesa. Per raggiungere più facilmente questo scopo, molti di costoro organizzarono occulti convegni e sette clandestine con cui speravano in futuro di trascinare più facilmente numerosi individui ad essere complici della loro congiura e della loro iniquità.2. Già da tempo questa Santa Sede, scoperte tali sette, lanciò l’allarme contro di esse con alta e libera voce e rivelò le loro trame contro la Religione e contro la stessa società civile. Già da tempo sollecitò la vigilanza di tutti perché si guardassero in modo che queste sette non osassero attuare i loro scellerati propositi. È tuttavia motivo di rammarico che all’impegno di questa Sede Apostolica non abbia corrisposto l’esito cui essa mirava e che quegli uomini scellerati non abbiano desistito dalla congiura intrapresa, per cui ne sono derivati infine quei mali che Noi stessi avevamo previsto. Anzi, quegli uomini, la cui iattanza sempre si accresce, hanno perfino osato creare nuove società segrete.3. A questo punto occorre ricordare una società nata di recente e diffusa in lungo e in largo per l’Italia e in altre regioni: per quanto sia divisa in numerose sette e per quanto assuma talvolta denominazioni diverse e distinte tra loro, in ragione della loro varietà, tuttavia essa è una sola di fatto nella comunanza delle dottrine e dei delitti e nel patto che fu stabilito; essa viene chiamata solitamente dei Carbonari. Costoro simulano un singolare rispetto e un certo straordinario zelo verso la Religione Cattolica e verso la persona e l’insegnamento di Gesù Cristo Nostro Salvatore, che talvolta osano sacrilegamente chiamare Rettore e grande Maestro della loro società. Ma questi discorsi, che sembrano ammorbiditi con l’olio, non sono altro che dardi scoccati con più sicurezza da uomini astuti, per ferire i meno cauti; quegli uomini si presentano in vesti di agnello ma nell’intimo sono lupi rapaci.4. Anche se mancassero altri argomenti, i seguenti persuadono a sufficienza che non si deve prestare alcun credito alle loro parole, cioè : il severissimo giuramento con cui, imitando in gran parte gli antichi Priscillanisti, promettono di non rivelare mai e in nessun caso, a coloro che non sono iscritti alla società, cosa alcuna che riguardi la stessa società, né di comunicare a coloro che si trovano nei gradi inferiori cosa alcuna che riguardi i gradi superiori; inoltre, le segrete e illegali riunioni che essi convocano seguendo l’usanza di molti eretici e la cooptazione di uomini d’ogni religione e di ogni setta nella loro società.5. Non occorrono dunque congetture e argomenti per giudicare le loro affermazioni, come più sopra si è detto. I libri da loro pubblicati (nei quali si descrive il metodo che si suole seguire nelle riunioni dei gradi superiori), i loro catechismi, gli statuti e gli altri gravissimi, autentici documenti rivolti a ispirare fiducia, e le testimonianze di coloro che, avendo abbandonato la società cui prima appartenevano, ne rivelarono ai legittimi giudici gli errori e le frodi, dimostrano apertamente che i Carbonari mirano soprattutto a dare piena licenza a chiunque di inventare col proprio ingegno e con le proprie opinioni una religione da professare, introducendo quindi verso la Religione quella indifferenza di cui a malapena si può immaginare qualcosa di più pernicioso. Nel profanare e nel contaminare la passione di Gesù Cristo con certe loro nefande cerimonie; nel disprezzare i Sacramenti della Chiesa (ai quali sembrano sostituirne altri nuovi da loro inventati con suprema empietà) e gli stessi Misteri della Religione Cattolica; nel sovvertire questa Sede Apostolica (nella quale risiede da sempre il primato della Cattedra Apostolica) (Sant’Agostino, Ep. 43) sono animati da un odio particolare e meditano propositi funesti e perniciosi.6. Non meno scellerate (come risulta dagli stessi documenti) sono le norme di comportamento che la società dei Carbonari insegna, sebbene impudentemente si vanti di esigere dai suoi seguaci che coltivino e pratichino la carità e ogni altra virtù, e che si astengano scrupolosamente da ogni vizio. Pertanto essa favorisce senza alcun pudore le voluttà più sfrenate; insegna che è lecito uccidere coloro che non rispettarono il giuramento di mantenere il segreto, cui si è fatto cenno più sopra; e sebbene Pietro principe degli Apostoli (1Pt 2,13) prescriva che i Cristiani "siano soggetti, in nome di Dio, ad ogni umana creatura o al Re come preminente o ai Capi come da Lui mandati, ecc.", sebbene l’Apostolo Paolo (Rm 3,14) ordini che "ogni anima sia soggetta alle potestà più elevate", tuttavia quella società insegna che non costituisce reato fomentare ribellioni e spogliare del loro potere i Re e gli altri Capi, che per somma ingiuria osa indifferentemente chiamare tiranni.7. Questi ed altri sono i dogmi e i precetti di questa società, da cui ebbero origine quei delitti recentemente commessi dai Carbonari, che tanto lutto hanno recato a oneste e pie persone. Noi, dunque, che siamo stati designati come veggenti di quella casa d’Israele che è la Santa Chiesa e che per il Nostro ufficio pastorale dobbiamo evitare che il gregge del Signore a Noi divinamente affidato patisca alcun danno, pensiamo che in una contingenza così grave non possiamo esimerci dall’impedire i delittuosi tentativi di questi uomini. Siamo mossi anche dall’esempio di Clemente XII e di Benedetto XIV di felice memoria, Nostri Predecessori: il primo, il 28 aprile 1738, con la Costituzione "In eminenti", e il secondo, il 18 maggio 1751, con la Costituzione "Providas", condannarono e proibirono le società dei Liberi Muratori, ossia dei Francs Maçons, o chiamate con qualunque altro nome, secondo la varietà delle regioni e degli idiomi; si deve ritenere che di tali società sia forse una propaggine, o certo un’imitazione, questa società dei Carbonari.E sebbene con due editti promulgati dalla Nostra Segreteria di Stato abbiamo già severamente proscritta questa società, seguendo tuttavia i ricordati Nostri Predecessori pensiamo di decretare, in modo anche più solenne, gravi pene contro questa società, soprattutto perché i Carbonari pretendono, erroneamente, di non essere compresi nelle due Costituzioni di Clemente XII e di Benedetto XIV né di essere soggetti alle sentenze e alle sanzioni in esse previste.


8. Consultata dunque una scelta Congregazione di Venerabili Fratelli Nostri Cardinali di Santa Romana Chiesa, con il loro consiglio ed anche per motu proprio, per certa dottrina e per meditata Nostra deliberazione, nella pienezza dell’autorità apostolica abbiamo stabilito e decretato di condannare e di proibire la predetta società dei Carbonari, o con qualunque altro nome chiamata, le sue riunioni, assemblee, conferenze, aggregazioni, conventicole, così come con il presente Nostro atto la condanniamo e proibiamo.9. Pertanto a tutti e a ciascuno dei fedeli di Cristo di qualunque stato, grado, condizione, ordine, dignità e preminenza, sia laici sia chierici, tanto secolari che regolari, degni anche di specifica, individuale ed esplicita menzione, ordiniamo rigorosamente e in virtù della santa obbedienza che nessuno, sotto qualsivoglia pretesto o ricercato motivo, osi o pretenda di fondare, diffondere o favorire, e nella sua casa o dimora o altrove accogliere.


E nascondere la predetta società dei Carbonari, o altrimenti detta, come pure di iscriversi od aggregarsi ad essa o di intervenire a qualunque grado di essa o di offrire la facoltà e l’opportunità che essa si convochi in qualche luogo o di elargire qualcosa ad essa o in altro modo prestare consiglio, aiuto o favore palese od occulto, diretto o indiretto, per essa stessa o per altri; e ancora di esortare, indurre, provocare o persuadere altri ad iscriversi, ad aggregarsi o a intervenire in tale società o in qualunque grado di essa o di giovarle o favorirla comunque. I fedeli debbono assolutamente astenersi dalla società stessa, dalle sue adunanze, riunioni, aggregazioni o conventicole sotto pena di scomunica in cui incorrono sull’istante tutti i contravventori sopra indicati, senza alcun’altra dichiarazione; dalla scomunica nessuno potrà venire assolto se non da Noi o dal Romano Pontefice pro tempore, salvo che si trovi in punto di morte.10. Inoltre prescriviamo a tutti, sotto la stessa pena di scomunica, riservata a Noi e ai Romani Pontefici Nostri Successori, l’obbligo di denunciare ai Vescovi, o ad altri competenti, tutti coloro che sappiano aver aderito a questa società o che si sono macchiati di alcuno dei delitti più sopra ricordati.11. Infine, per allontanare con più efficacia ogni pericolo di errore, condanniamo e proscriviamo tutti i cosiddetti catechismi e libri dei Carbonari, ove costoro descrivono ciò che si è soliti fare nelle loro riunioni; così pure i loro statuti, i codici e tutti i libri scritti in loro difesa, sia stampati, sia manoscritti. A tutti i fedeli, sotto la stessa pena di scomunica maggiore parimenti riservata, proibiamo.


I libri suddetti, o la lettura o la conservazione di alcuno di essi; e ordiniamo che quei libri siano consegnati senza eccezione agli Ordinari del luogo o ad altri cui spetti il diritto di riceverli.


12. Vogliamo inoltre che ai transunti, anche stampati, della presente Nostra lettera, sottoscritti per mano di qualche pubblico notaio e muniti del sigillo di persona investita di dignità ecclesiastica, si presti quella stessa fede che si concederebbe alla lettera originale se fosse presentata o mostrata.


13. Perciò a nessuno sia lecito strappare o contraddire con temeraria arroganza questo testo della Nostra dichiarazione, condanna, ordine, proibizione e interdetto. Se qualcuno osasse tentare ciò, sappia che incorrerà nello sdegno di Dio Onnipotente e dei beati suoi Apostoli Pietro e Paolo.


Dato a Roma, presso Santa Maria Maggiore, nell’anno dell’Incarnazione del Signore 1821, il giorno 13 settembre, nell’anno ventiduesimo del Nostro Pontificato.

PIO PP. VII

 


Grande Loja Carbonaria do Brasil
www.carbonaria.org
Curitiba-PR. CEP 80001-970