Miosótis – Pode uma Flor identificar um Maçom?

 
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“(…) NÃO SE ESQUEÇA DE MIM (…)”

Pode uma Flor identificar um Maçom?.

A resposta é sim, porém antes vale sabermos algumas informações acerca desta pequena e delicada planta rasteira originária da Rússia, que geralmente tem entre 25 e 30 centímetros na fase de florescimento, possui pequenas flores azuis, flores brancas e flores rosadas que aparecem durante as primaveras.

O Miosótis gosta de baixa temperatura, sendo que se encontram naturalmente em lugares de altitude, espalhando-se por todos os continentes inclusive Africa e a América existindo naturalmente na região sul do Brasil e por todos os Andes, onde o Miosótis se adaptou muito bem, não se sabendo se chegou lá naturalmente ou foi levada pela mão do homem.
Muitas são as Lendas que cercam este lado misterioso da Miosótis. Numa destas e proveniente de uma antiga lenda romântica alemã, conta-se que esse nome está relacionado à última frase de um cavaleiro que, tentando alcançar uma flor para oferecer para a sua companheira, por conta do peso da armadura caiu em um rio e se afogou.
Noutra lenda, conta-se que o nome teria sido dado por Adão, ainda no Éden, que ao nomear as flores deste jardim se esquecera desta e, mais tarde, ao constatar que essa planta havia sido esquecida, deu-lhe então o nome de Miosótis como forma de compensação pelo seu esquecimento.
Uma terceira lenda popular cristã diz-se que as flores dessa planta teriam ficado da cor azul quando a Virgem Maria lhes derramou lágrimas por cima.
Na Europa há um folclore que costuma atribuir diversos poderes mágicos ao Miosótis, tratando-o, por exemplo, como chave mágica para tesouros enfeitiçados, entretanto , basicamente existem duas Lendas muito curiosas, sendo que uma delas , de origem persa tem uma conotação bem religiosa, com doses de carinho, bondade e esperança, e outra possui uma conotação mais maçônica, o que vem a ser o tema central deste artigo.
Começamos pela Lenda Persa:
(…) Há muitos e muitos anos havia um sábio persa muito querido por Deus,pela sua bondade e sabedoria. Compreensivo com todos,sempre pronto a aconselhar e ajudar,ensinava ao seu povo o valor do perdão e o entendimento das falhas humanas, pois, humanos,somos todos nós e por isso, falíveis. Deus, do alto da Sua glória acompanhava seus passos e tinha por ele tal admiração, que, chamando o seu anjo favorito, lhe enviou uma mensagem de amor e paz. Prontamente o anjo cruzou os ares, célere, contente por ter sido escolhido para entregar a missiva. Os anjos são os mensageiros celestes, mas, às vezes, têm que levar mensagens bem desagradáveis, o que os deixam muito tristes. Enquanto cruzava o espaço o anjo avistou uma belíssima moça persa, que, sentada à beira de um rio, enfeitava os cabelos com umas flores delicadas, quase tão belas como ela mesma. Enquanto trançava seus louros cabelos que pareciam feitos de fios de seda, cantava, com uma voz maviosa, uma canção de amor. Sorriu, ao terminar a tarefa, ao ver refletido seu rosto nas límpidas águas do rio. Encantado , ao ver tanta beleza, o anjo desceu e a raptou. Passaram-se muitos dias de um amor infinito e o anjo lembrou-se de que a mensagem não fora entregue. Arrependido, temeroso, voltou ao céu , pensando em obter o perdão para sua falta. Mas, encontrou fechadas as portas do paraíso. Triste e choroso, o anjo ficou por ali lamentando a sua sorte e as loucuras que fizera por amor; mostrava-se sinceramente arrependido e Deus,comovido,enviou o Arcanjo Gabriel com um recado. -Deus ordena que antes de trazeres para o céu uma filha da terra, povoes o solo de filhos do céu. Confuso, o anjo voltou para a terra e contou à esposa o recado de Deus, confessando que não tinha entendido nada.
Será que a moça teria uma explicação?
-É claro, ela lhe disse, sorridente. Essas flores que trago nos cabelos chama-se “filhas do céu” ; mas, podem também ser chamadas de “não –me-deixes”. De mãos dadas e felizes eles saíram pelo mundo, plantando, por toda parte, os miosótis ou não-me-deixes e terminada a tarefa o anjo envolveu a esposa nos seus braços vigorosos e voou para o céu.(…)
Porque resolvi publicar este artigo em meios aos artigos anteriores com conotação mais política e social?
Nos dias 27 – 28 – 29/05, estive presente na Cidade de Corumbá – MS em missão Maçônica em conjunto com nosso Grão-Mestre Julio Tardin ( GOB – MT ), buscando resgatar a história de fundação do Grande Oriente do Brasil Mato Grosso há 25 anos atrás, o que nesta garimpagem, estes mesmos 25 anos se tornaram 136 anos de história maçônica do Antigo e Pujante Estado do Mato Grosso, ainda não dividido geograficamente, mas este assunto será alvo de outro Artigo.
Prosseguindo com nosso árduo trabalho de pesquisa, entrevistas e coleta de documentos históricos, nos encontramos na manhã de sábado dia 28/05 com nosso Irmão Roberto Aguilar, Mestre Maçom da A.R.L.S Sentinela da Fronteira – 53 GLMS, fundada no ano de 1989 na Cidade de Corumbá – MS. Logo de imediato percebemos no Irmão Roberto Aguilar seu gosto e paixão pela História da Maçonaria em Corumbá – MS  , que remonta mais de 140 anos de existência na Região, o que não se descarta também seu interesse histórica na Maçonaria Brasileira e Mundial.
Na continuidade de nossa Entrevista, percebemos o quão grande pesquisador é o Irmão Roberto Aguilar, e fomos brindados com fatos históricos embriagantes de curiosidades do passado centenário da maçonaria naquela Região, marcada pela fundação da A.R.L.S. Pharol do Norte – GOB , erguida em 1875 na cidade de Ladário ( Há época uma região militar dentro de Corumbá-MS ), o que em breve também publicarei artigo especial sobre este assunto de mais de 136 anos. Ao encerrarmos combinamos de nos encontrarmos no período da noite nas festividades de aniversário da Loja PHAROL DO NORTE.
Estando presente junto a Sessão Magna de Aniversário, tive a oportunidade de sentar-me ao lado do Irmão Roberto Aguilar  e nos momentos livres trocamos alguns assuntos históricos oriundos de algumas pesquisas, e quando por minha grata surpresa o Irmão Roberto Aguilar me perguntou: – Você conhece à Miosótis?.
Titubiei um pouco varrendo minhas lembranças, e respondi que já havia ouvido falar da Miosótis na oportunidade que participei de uma Sessão da Entidade Paramaçônica Filhas de Jó em Cuiabá – MT, a qual houve a presença da Suprema Guardiã Internacional, e em um dado momento esta Senhora contou a história desta florzinha , cuja lenda  foi contada por seu pai, ora um Judeu Alemão de Nascimento e Maçom, porém não me lembrava totalmente da Lenda contatada em um evento passado no ano de 2006, considerando ainda que neste evento ajudei as Filhas de Jó na condução da Harmonia Musical, e confesso minha atenção estava mais na operação da harmonia.
Em um gesto fraterno e de desprendimento, o Irmão Roberto Aguilar retirou da lapela de seu paletó o seu PIN da MIOSÓTIS e deu-me de presente, contando-me  a seguinte Lenda, que transcrevo aqui neste artigo com base no BLOG www.deldebbio.com.br, que alude o texto ao Irm. Ruy Luiz Ramires
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IMEDIATAMENTE COLOQUEI NA LAPELA DO MEU PALETÓ
(…) No início de 1934, logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer.

E breve, a maçonaria alemã, que conhecera dias gloriosos e que tivera, em suas colunas, os mais ilustres filhos da pátria alemã, com Goethe, Schiller e Lessingn, veria esmagado o espírito da liberdade sob o pretexto de impor a ordem e uma supremacia racial.

Quanto retrocesso desde que Friedrich Wilhelm III, Rei da Prússia, em 1822, impediu que os esbirros reacionários da Santa Aliança de Metternich fechassem as Lojas Maçônicas, declarando peremptoriamente que poderia descrever os Franco-Maçons prussianos, com toda a honestidade, como sendo os melhores dentre os seus súditos… (1)

As Lojas alemãs, na terceira década do século XX, estavam jurisdicionadas a onze Grande Lojas, divididas em duas tendências.

O primeiro grupo, de tendência humanista, seguindo os antigos costumes ingleses, tinha como base a tolerância, valorizando o candidato por seus méritos e não levando em consideração sua crença religiosa.

Constava de sete Grandes Lojas, a saber: Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja Nacional da Saxônia, em Dresden: Grande Loja do Sol, de Bayreuth; Grande Loja-Mãe da União Eclética dos Franco-Maçons, em Frankfurt; Grande Loja Concórdia, em Darmstadt; Grande Loja Corrente Fraternal Alemã, em Leipzig; e, finalmente, a Grande Loja Simbólica da Alemanha.

O segundo grupo consistia das três antigas Lojas prussianas, que faziam a exigência de que os candidatos fossem cristãos. Havia ainda a Grande Loja União Maçônica do Sol Nascente, não considerada regular, mas que também tinha tendências humanistas e pacifistas.

Voltando a 1934, a Grande Loja Alemã do Sol se deu conta do grave perigo que iria enfrentar. Inevitavelmente, os maçons alemães estavam partindo para a clandestinidade, devido à radicalização política e ao nacionalismo exacerbado. Muitos adormeceram e alguns romperam com a tradição, formando uma espúria Franco-Maçonaria Nacional Alemã Cristã, sem qualquer conexão com o restante da Franco-Maçonaria. Declaravam eles abandonarem a idéia da universalidade maçônica e rejeitar a ideologia pacifista, que consideravam como demonstração de fraqueza e como uma degeneração fisiológica contrária aos interesses do estado!

Os maçons que persistiram em seus ideais precisaram encontrar um novo meio de identificação que não o óbvio Compasso & Esquadro, seguramente um risco de vida.

Há uma pequenina flor azul que é conhecida, em muitos idiomas, pela mesma expressão: não-me-esqueças – o miosótis. Entenderam, nossos irmãos alemães, que esse novo emblema não atrairia a atenção dos nazistas, então a ponto de fechar-lhes as Lojas e confiscar-lhes as propriedades.

Miosótis

Vergissmeinnicht, em alemão;

forget-me-not, em inglês;

forglemmigef em dinamarquês;

ne m’oubliez pás, em francês;

non-ti-scordar-di-me, em italiano;

não-te-esqueças-de-mim, em português.

Através de todo o período negro do nazismo, a pequenina flor azul identificava um Irmão. Nas cidades e até mesmo nos campos de concentração, o miosótis adornava a lapela daqueles que se recusavam a permitir que a Luz se extinguisse.

O miosótis como símbolo foi objeto de um interessante estudo do irmão David G. Boyd, no Philaletes de abril de 1987. Ele conta, também, que muitos maçons recolheram e guardaram zelosamente jóias, paramentos e registros das Lojas, na esperança de dias melhores. O irmão Rudolf Martin Kaiser, VM da Loja Leopold zur Treue, de Karlsruhe, quebrou a jóia do Venerável Mestre em pequenos pedaços de tal modo que não pudesse ser reconhecida pela infame Gestapo.

Em 1945, o nazismo, com seu credo de ódio, preconceito e opressão, que exterminara, entre outros, também muitos maçons, era atirado no lixo da História. Nas fileiras vitoriosas que ajudaram a derrotá-lo, estavam muitos maçons – ingleses, americanos, franceses, dinamarqueses, tchecos, poloneses, australianos, canadenses, neozelandeses e brasileiros. De monarcas, presidentes e comandantes aos mais humildes pracinhas.

Mas, entre os alemães, alguns velhos maçons também sobreviveram, seu sofrimento ajudando a redimir, de alguma forma, a memória da histeria coletiva nazista. Eles eram o penhor da consciência alemã, a demonstração de que a velha chama da civilização alemã continuara, embora com luz tênue, a brilhar durante a barbárie.

Em 14 de junho de 1954, a Grande Loja O Sol (Zur Sonne) foi reaberta, em Bayreuth, sob um ilustre irmão o Dr. Theo Vogel, núcleo da Grande Loja Unida da Alemanha (VGLvD, AF&AM). Nesse momento, o miosótis foi aprovado como emblema oficial da primeira convenção anual, realizada por aqueles que conseguiram sobreviver aos anos amargos do obscurantismo. Nessa convenção, a flor foi adotada, oficialmente, como um emblema Maçônico, em honra àqueles valentes Irmãos que enfrentaram circunstâncias tão adversas.

Certamente, na platéia, estava o Venerável Mestre da Loja Leopold ZurTreue, agora nº 151, ostentando orgulhoso sua jóia recuperada e reconstituída, suas emendas de solda constituindo-se num testemunho mudo e comovente da história.

Finalmente, para coroar, quando Grão-Mestres de todo o mundo encontraram-se nos Estados Unidos, o Grão-Mestre da recém formada Grande Loja Unida da Alemanha presenteou a todos os representantes das Grandes Jurisdições ali presente com um pequeno miosótis para colocar na lapela.

O miosótis também é associado com as forças britânicas que serviram na Alemanha, em especial na região do Rio Reno, logo após a guerra. Há uma Loja, jurisdicionada à Grande Loja Unida da Inglaterra, a Forget-me-not Lodge nº9035, Ludgershall, Wiltshire, que adotou a flor como emblema. Foi formada especialmente para receber os militares ingleses que retornavam do serviço na Alemanha.

Foi assim que essa mimosa florzinha azul, tão despretensiosa, transformou-se num significativo emblema da Fraternidade – talvez hoje o mais usado pelos maçons alemães.

Ainda hoje, na maioria das Lojas germânicas, o alfinete de lapela com o miosótis é dado aos novos Mestres, ocasião em que se explica o seu significado para que se perpetue uma história de honra e amor frente à adversidade, um exemplo para as futuras gerações Maçônicas de todas as nações. (…)

Enfim, esta é a história da MIOSÓTIS, o que podemos usar uma Lenda ou Outra sobre sua existência e assim sempre lembrarmos as nossas pessoas mais queridas para NUNCA SE ESQUECEREM DE NÓS!!

Muito Obrigado ao Meu Irmão Roberto Aguilar, que mesmo sem estar com a MIOSÓTIS na lapela de seu paletó, tenha certeza que nunca esquecerei de nossos laços fraternos , e dos três dias que fizemos parte dos 136 anos de história da Maçonaria Curumbaense!!

moacirjop@gmail.com (M.J. Outeiro Pinto)

Fonte:  http://mjouteiropinto.blogspot.com

Cofundador e Administrador do Portal Brasil Maçom, Administrador da Loja Virtual Atelier do Maçom, Mestre Maçom Iniciado na ARLS Cidade de Vila Velha 89, Jurisdicionada à Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo (GLMEES), Designer, Programador e Desenvolvedor .NET de Sistemas WEB.

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