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A
Mulher na Maçonaria
Anatoli
Oliynik
A base da Instituição maçônica é a
fraternidade. Por isso reúne os homens em suas Lojas, nas quais
reinam a moral, a tolerância e a solidariedade. Porém,
a Maçonaria também dedica à família o melhor
de suas atenções. E embora a mulher não participe
diretamente dos trabalhos maçônicos, não se pode
dizer que não lhes presta a sua colaboração, pois,
enquanto os maridos se dedicam aos trabalhos da Loja, as esposas se
constituem em guardiãs do lar e dos filhos.
Os Maçons tributam, portanto, à mulher não somente
o respeito que ela merece como mãe, esposa, irmã e filha,
mas também pela admiração a que tem direito por
ser o ornamento da humanidade, na qual tem exercido um grande papel
civilizador e propulsor do progresso dos povos.
A Maçonaria não admite, por tradição, as
mulheres em suas Lojas como membros ativos. Mas, em muitas Lojas, têm
a seu cargo os trabalhos assistenciais da Oficina , e espalham a seu
redor o carinho, o amor ao próximo e todas as virtudes peregrinas
que formam os dotes da sensibilidade feminina.
Giz G. Huard (L’art Royal – p. 145) que no seu famoso discurso, datado
de 21 de março de 1737, Ramsay justificou a exclusão das
mulheres da Maçonaria, alegando que a sua presença poderia
alterar a pureza dos costumes.
Sabemos, no entanto, que os motivos são muito diferentes e remontam
aos alvores das sociedades humanas. No que se refere propriamente a
instituição maçônica, convém ter na
devida conta que, ao ser fundada a Maçonaria Moderna , as suas
reuniões se realizavam em tavernas, as quais, por mais seletas
que fossem, não eram locais muito apropriados para as senhoras.
Além da tradição da arte dos pedreiros que excluía
as mulheres da profissão, os clubes, então em grande voga,
só admitiam homens que se reuniam entre si para tratar dos seus
negócios. Os ingleses sempre gostaram dos clubs only for man
(clubes somente para homens) e a maçonaria nasceu na Inglaterra.
Esta regra, contudo, não foi expressa em palavras precisas em
nenhum dos “Antigos Deveres” (Old Charges), embora todos os regulamentos
se refiram apenas a homens e muitos deles, de forma alguma, poderiam
ser aplicados a mulheres. Os regulamentos corporativos proibiam o emprego
das mulheres na indústria, com exceção da viúva
do mestre da oficina, e mesmo de sua filha.
A exclusão da mulher, na Maçonaria operativa, prendia-se,
muitas vezes, ao fato de a mulher operária daquela época,
ganhando salário inferior ao homem, tornar-se uma concorrente
tão poderosa quanto nefasta, ou pelo menos assim julgava uma
sociedade que vivia atrofiada pela falta de mercados e de empregos.
Mas se a corporação deixava a mulher viúva ou filha
órfã, do mestre, continuar o negócio-privilégio
do marido para poder manter-se e aos filhos, não lhe permitia,
contudo, aceitar aprendizes, por lhe faltarem conhecimentos profissionais
para instruí-los devidamente.
Sabe-se, porém, por meio das relações do imposto
de capitação, da existência de mulheres gesseiras,
almofarizeiras , e mais raramente pedreiras. Não obstante, Bernard
E. Jones fala de várias viúvas que faziam parte da Companhia
de Maçons de Londres.
Somente em 1723, nas Constituições maçônicas
é que, pela primeira vez, a palavra “mulher” foi introduzida
na lei. Diz-se, e de maneira explicita, que “as pessoas admitidas como
membros de uma Loja devem ser homens bons e verdadeiros... e não
escravos, nem mulheres etc.”
Eliane Brault em La F.M. et l’Émancip. des Femmes (A Franco-maçonaria
e a emancipação da mulher) expõe os motivos dessa
medida. Dizendo:
“Decretando desde a sua fundação que não aceitaria
senão homens livres e de bons costumes, a Maçonaria afastava
os mercenários (o termo proletário não existia
ainda naquela época) como privados de liberdade, os assalariados
dependendo de um patrão, os judeus que não tinham ainda
conquistado os direitos de cidadãos, os comediantes e os artistas,
que não eram considerados como de bons costumes, já que
o acesso à igreja lhes era proibido; a fortiori era obrigada
a afastar as mulheres, visto que as leis e os costumes as mantinham
em estado de menoridade e de subordinação” (pp. 12-13).
Apesar da Maçonaria Moderna excluir terminantemente as mulheres
de qualquer participação ativa na Loja, são conhecidas
algumas narrativas de casos raros de mulheres que receberam o Primeiro
Grau. As narrativas referem-se a:
1. Sra. Aldworth (Elisabeth Saint-Leger - 1693-1773)
Conhecida na Inglaterra como a “Dama Maçom” teria sido iniciada,
ainda solteira, por volta de 1710. Era filha do 1º Visconde de
Doneraile, do condado de Cork, na Irlanda, casando-se, em 1713, com
Richard Aldworth. Entretanto, não há evidências
documentais de que a Sra. Aldworh tenha sido efetivamente iniciada no
Primeiro Grau da Maçonaria.
2. Sra. Beaton:
Escondeu-se uma tarde no forro de madeira de uma Loja de Norfolk, na
Inglaterra, surpreendendo os segredos maçônicos. Foi então
iniciada. Esta mulher, que era chamada “o Maçom”, guardou o segredo
até a sua morte em 1802. Não existem evidências
documentais que confirmem o fato narrado.
3. Madame de Xaintrailles:
Segundo a narrativa, que não cita a data em que se passou, o
fato teria se passado na Loja des Frères Artistes , em França,
presidida pelo Irmão Cuvelier de Trie, quando era celebrada uma
Festa de Adoção.
“Antes da introdução dos membros femininos, os Irmãos
abriam a Loja no primeiro grau. Entre os visitantes que esperavam na
antecâmara estava um jovem oficial em uniforme de cavalaria. O
Irmão encarregado do exame dos visitantes pediu-lhe o diploma
ou o certificado (de maçom) para ser examinado pela Loja. Após
uma pequena hesitação (o oficial) entregou um papel dobrado
que foi imediatamente encaminhado ao Orador da Loja, o qual, ao abri-lo,
descobriu tratar-se de uma patente de ajudante de ordens, outorgada
pelo Diretório (1795-1799) à esposa do General Xaintrailles,
uma mulher que, com várias outras, naqueles tempos conturbados,
tinha revestido o traje masculino, alcançando uma graduação
militar pela espada.
Maçonaria
Feminina ou de Adoção
O estado
de inferioridade física da mulher foi o motivo de menoridade
jurídica em que se achou relegada até este século.
E também a razão por que não foi admitida, pelo
menos oficialmente, na Maçonaria Operativa e, conseqüentemente,
na Maçonaria Moderna, salvo uma ou outra exceção,
que não fazem mais do que confirmar a regra geral.
As Constituições maçônicas de 1723 tornaram
explicita a exclusão da mulher na Ordem maçônica.
Esta regra transformada em Landmarque , é uma daquelas que são
exigidas para a regularidade de uma Obediência maçônica
e o subseqüente reconhecimento.
Não obstante, na sua Convenção de 1935, a Grande
Loja de França encarregou o seu Conselho Federal de “submeter
ao estudo das Lojas, de acordo com as Lojas de adoção,
as modalidades permitindo a outorga a essas Lojas da independência
ou da autonomia, que lhes permitiria, em condições novas
de administração, prosseguir, do ponto de vista feminino,
a obra de fraternidade e de tolerância da Maçonaria masculina”.
Isto significa, do ponto de vista daquela Potência francesa, que
a tutela masculina não se justificava mais, daí a necessidade
de adaptar as Lojas femininas. Porém a Guerra de 1939-1945 atrasou
a realização do projeto. Não obstante, na Convenção
de 1945 da Grande Loja de França, diz Alec Mellor, o Grão-Mestre
Michel Dumesnil de Gramont voltou ao assunto nos seguintes termos:
“Desejaria chamar a vossa atenção sobre a participação
da mulher na obra maçônica e, por conseguinte, sobre as
Lojas ditas de adoção. Hoje, a emancipação
da mulher é, no domínio político, plenamente realizada.
É de se pensar que o será, brevemente, no domínio
jurídico. – Seria realmente um paradoxo ofensivo de ver a Maçonaria,
inteiramente voltada para o progresso, permanecer como último
refúgio da concepção antiquada, visando manter
a mulher num estado humilhante de menoridade. – Assim, quando as nossas
Irmãs manifestaram a intenção muito natural de
reconstituir as suas Oficinas, decidimos por um termo a uma fórmula
já caduca para chegar enfim ao que devia ser a conseqüência
lógica do esforço pretendido desde há quarenta
anos e mais nas nossas Lojas de Adoção, quer dizer à
criação, em França, como isto existe na Inglaterra,
de uma Maçonaria feminina autônoma.
As nossas Irmãs asseguraram-nos, aliás, que se consideravam
sempre como permanecendo sob o patrocínio espiritual da Grande
Loja de França e que a sua atividade se inspirava constantemente
nos princípios da Maçonaria escocesa.
Quanto a nós, não podemos esquecer que, durante longos
anos, as Irmãs, que uma evolução natural terá
conduzido à independência, contribuíram para a ação
e a prosperidade da Grande Loja.
Isto nos cria para com elas deveres que não poderíamos
esquecer e que se devem traduzir por um concurso material e moral tão
extenso quanto for necessário, para permitir-lhes organizar a
primeira Maçonaria feminina autônoma que a França
terá conhecido.
Esperamos, meus Irmãos, que haveis de querer consagrar com a
vossa aprovação um ato que pode ter, no porvir, as mais
importantes e as mais felizes conseqüências....” (pp. 194-195).
E assim, em 17 de setembro de 1945, a Grande Loja de França ab-rogava
os textos regendo a Maçonaria de adoção, abolia
esta última definitivamente e em 21 de outubro de 1945 uma nova
Potencia, a União Maçônica Feminina, realizava a
sua primeira assembléia geral. Em 1952, esta Potencia passou
a denominar-se Grande Loja Feminina de França e em 1959 adotou
o Ritual masculino do Rito Escocês Antigo e Aceito, ligeiramente
modificado em alguns pontos e detalhes. Em 1963, Alex Mellor (op. Cit.)
escrevia ainda:
“A jovem obediência conta atualmente com cerca de vinte Lojas
e um pouco mais de 500 membros. A sua orientação difere
da do Direito Humano no fato de ela prefirir nitidamente as questões
de simbolismo, quer dizer as verdadeiras questões maçônicas,
às questões de política, mesmo qualificada de ‘sociais’
”.
“Os Maçons das outras obediências são admitidos
como ‘visitantes’, incluídos os do Direito Humano e as Irmãs
do Direito Humano também, liberalismo que alguns acham excessivo
por duas razões: a primeira é que os Maçons do
Direito Humano não são admitidos como visitantes nas Lojas
da Grande Loja de França, e que a unidade do Escocesismo teria
a ganhar se a Grande Loja Feminina de França não desse
a esta última uma espécie de reprovação
pelo menos aparente. A segunda é que o Direito Humano não
admite como visitantes as Irmãs da Grande Loja Feminina de França,
tendo como motivo que esta última seria ‘irregular’, crítica
que, por certo, não falta de audácia e mesmo de comicidade
para quem compara as origens do Direito Humano àquela diretamente
saída da Grande Loja de França!
A Grande Loja Feminina de França compreende certos elementos
de valor e várias mulheres célebres.
Falta-lhe resolver um problema difícil: o dos Altos Graus. Até
aqui ela só pratica os graus simbólicos, e somente o Supremo
Conselho do Rito Escoces poderia permitir às mulheres ter acesso
aos graus superiores. A questão não se apresentou ainda,
segundo o nosso conhecimento pelo menos. Não é querer
ser profeta pelo fato de conjeturar que a Grande Loja Feminina de França
permanecerá uma obediência simbólica” (pp. 195-196).
Em 1965, em razão de suas relações cada vez mais
íntima com o Grande Oriente de França, a Grande Loja caiu
na irregularidade, produzindo-se então uma cisão. O Supremo
Conselho do Rito Escoes Antigo e Aceito reconheceu a Grande Loja Nacional
Francesa como Obediência legitima, para lá se retirando
com numerosas Oficinas que o seguiram, depois de proibir à Grande
Loja de França que se considerasse, no futuro, escocesa.
O progresso, em nossos dias, estabeleceu, entre homens e mulheres, igualdade
de direitos sociais, políticos e jurídicos. Poderá
este novo status influir para a reconsideração de uma
posição à qual faltam as bases tradicionais que
colocavam a mulher sob a dependência e tutela do homem?
Maçonaria
Mista ou Comaçonaria
Denominação dada a Potencias formadas por Lojas nas quais
são admitidas as mulheres, em pé de igualdade com os homens,
não sendo por isso reconhecidas pela Maçonaria regular.
A Maçonaria Mista teve início em 1882, com a iniciação
de Marie Deraismes, na Loja “Livres Pensadores”, jurisdicionada à
Grande Loja Simbólica Escocesa de França, que não
reconheceu aquela iniciação e a declarou nula e ilegal
e demoliu a Loja.
O Dr. Georges Martin, Venerável da Loja “La Jerusalém
Ecossaise”, apresentou, em 1890, uma proposta à Grande Loja para
a admissão das mulheres na Maçonaria, que não foi
tomada em consideração. Em vista disso, o Dr. George Martin
e Marie Deraismes fundaram. Em 1893, a Grande Loja Simbólica
Escocesa Mista de França “O Direito Humano”, que não foi
reconhecida pelas Obediências francesas “masculinas”.
Em 1903, a Grande Loja de França reconheceu a qualidade maçônica
das Potencias Mistas, submetendo, porém, os seus membros masculinos
à admissão e regularização, após
expedição de sindicâncias.
Em 1920, o Grande Oriente de França reconheceu o “Direito Humano”,
havendo troca de Garantes de Amizade. Não admitiu, porém,
as Irmãs em seus Templos.
A cooperação da mulher nos trabalhos maçônicos
tem sido cogitada pelas Lojas de vários países, todavia
as opiniões divergem a esse respeito.
Com o propósito de dar consistência ao desejo das Oficinas
de ver os membros femininos das famílias de seus obreiros ocupar-se
do setor filantrópico das Lojas, a Constituição
de 1967, do Grande Oriente do Brasil criava a “Fraternidade Feminina
Cruzeiro do Sul”, entidade paramaçônica sem caráter
iniciático, constituída das esposas, das ascendentes,
descendentes e colaterais e afins de Maçons regulares, com o
fim de prestar os serviços de filantropia, educação
e cultura, preconizada pelo Grande Oriente do Brasil.
No Paraná a representante (Presidente) da “Fraternidade Feminina
Cruzeiro do Sul” é a nossa cunhada Sarah Gennari.
Com a permissão do meu Confrade na Academia Paranaense de Letras
Maçônicas, Irmão Frederico Guilherme Costa, reproduzo
a seguir o seu artigo, denominado “O Ideário da Maçonaria
e as suas Preocupações com a Questão da seualidade”.
Trata-se de uma posição particular do Irmão Frederico
e que não expressa o pensamento da maioria dos maçons
brasileiros, mas que merece a atenção dos maçons
e das cunhadas, levando-os a uma profunda reflexão.
Observamos que uma forte dose de misticismo está presente no
único sistema que existe até hoje: o “Direito Humano”,
criado em l893, fruto de uma importante reivindicação
feminina visando a igualdade civil e política.
Tentando justificar o impedimento da mulher na Maçonaria dita
regular, os maçons tradicionais invocam o item dos OITO PONTOS
exigido pela Grande Loja Unida da Inglaterra para reconhecer uma Obediência
Maçônica:
“Os membros
da Grande Loja e das Lojas individuais devem ser, única e exclusivamente
homens. Nenhuma Grande Loja poderá manter relações
com Lojas que admitam mulheres como membros”.
O maçom
francês e católico Alec Mellor procura justificar o impedimento
por razões históricas, psicológicas e morais. Tenta
demonstrar que na Maçonaria dita operativa não era possível
existirem pedreiras, o que é verdadeiro. Com acerto declara que
quando da fundação da Moderna Maçonaria, o Club
maçônico londrino, a exemplo dos tradicionais clubes de
homens, não aceitavam a iniciação feminina. Cabe
a transcrição do autor citado:
“Na época
da Franco-Maçonaria operativa, por definição, não
era possível existirem 'pedreiras'. Quando, no século
XVIII, fundaram-se as primeiras lojas especulativas, o seu modelo foi
o desta instituição tipicamente britânica, o Club,
essencialmente masculinos. Por razões psicológicas e morais:
a pretensa inaptidão das mulheres para guardarem segredo é
um absurdo puro e simples, mas o mesmo não ocorre com a sua dificuldade
de admitirem a igualdade social entre elas, nem com a sua sensibilidade
mais viva do que a dos homens. Em um mundo fechado, onde a sensibilidade
se torna mais arrebatada, a vivacidade de certas reações
femininas decuplicaria, prejudicando o espírito fraternal. Enfatizou-se
igualmente a hostilidade muito fácil que as mulheres nutrem umas
pelas outras, sobretudo se são de idades diferentes, assim como
o perigo que o espírito fraterno correria de eventuais adultérios
e também de brigas entre homens tão caras às coquetes”
Mesmo admitindo que a pretensa inaptidão das mulheres para guardarem
segredo é um absurdo puro e simples, Mellor tropeça no
seu entendimento psicológico quando entende que as mulheres não
admitem a igualdade social entre elas e que a vivacidade de certas reações
femininas decuplicaria, prejudicando o espírito fraternal ao
lado de eventuais adultérios. São argumentos falhos, machistas.
Como impedir uma cidadã que elege e é eleita, o ingresso
numa sociedade que defende a liberdade e a igualdade? A única
resposta possível se encontra no “espírito” do clube londrino,
e, não nas absurdas considerações morais e psicológicas,
pois para que exista uma adúltera é óbvio que deve,
igualmente, existir um adúltero.
Isolada, a mulher maçona encontra-se no espaço excludente
reatualizando-se a cartografia aristotélica dentro da ética
da natureza: “os homens são desiguais pela própria natureza
humana”. Embora tratando com carinho a mulher, o maçom, dentro
de um processo de longa duração, não quer inseri-la
no espaço da produtividade, da eficácia. Excluída
dos Templos fica, a “cunhada”, no espaço próprio das reprodutoras
dos “sobrinhos”.
A Maçonaria, desde o seu início regular, recebeu nos seus
quadros uma quantidade significativa de conservadores marcados pelo
positivismo do século XIX onde “pensar a sezualidade” não
é possível. Muito própria da época, a idéia
conservadora não deve ser entendida como uma crítica à
Maçonaria dos oitocentos, mas um perfeito enquadramento da sua
doutrina com a realidade política praticada na Europa. Todavia
permanece o vazio frustrante naquilo que deveria ser o desenvolvimento
das idéias maçônicas. Com relação
a questão da sezualidade, não seria temerário afirmar
que a Maçonaria brasileira não tem tradições
intelectuais, apesar de muitos dos seus ilustrados membros, no rigoroso
sentido metodológico. Não se consegue saber o que pensa
a Maçonaria sobre a se\ualidade. Portanto será mais sábio,
por enquanto, não falarmos sobre o tema; antes é preciso
desembaraçar a Maçonaria das peias do autoritarismo.
A transposição de forma de comportamento social da Europa
para o Brasil seria a explicação mais correta às
dificuldades opostas à formação de um pensamento
maçônico brasileiro na direção de uma discussão
mínima sobre a questão da se\ualidade, dos excluídos,
da mulher, do homosse\ual, para ficarmos apenas nestes. Fundamentalmente
o universo maçônico brasileiro mantém-se coeso em
torno do princípio burguês com relação aos
excluídos, apesar de alguns maçons se considerarem “liberais”
e a favor do ingresso da mulher na Maçonaria, mas somente esta
“excluída” eventualmente “poderia” interpretar, “um dia”, a doutrina
e as práticas ritualísticas que sempre estiveram sujeitas
à localização social dos maçons e, neste
espaço, não se discute sexualidade. Compreendem-se, assim,
os cismas a partir de uma perspectiva de mudança e ruptura com
o modelo existente.”
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