Órgãos
do Rito Brasileiro
São
órgãos do Rito Brasileiro de Maçons Antigos,
Livres e Aceitos, na qualidade de Oficinas Litúrgicas:
Supremo Conclave
Altos Colégios
Grandes Conselhos
Oficinas Integradas de Graus Superiores
Capítulos.
As Oficinas indicadas anteriormente se integram ao sistema universal
do Rito, por um conjunto ordenado de Tratados de Amizade e Aliança
do Supremo Conclave do Brasil com os Corpos Maçônicos
de Nações em que o sistema da Maçonaria Renovada
for dotado.Em seu relacionamento com as instituições
maçônicas, o Rito Brasileiro declara:
A soberania do Supremo Conclave do Brasil na formulação
da doutrina ortodoxa dos seus rituais e na administração
da Hierarquia acima do Grau de Mestre-Maçom, no Pais; O reconhecimento
do Grande Oriente do Brasil como autoridade regular, legítima
e soberana, exclusiva no Brasil, para exercício litúrgico
e administrativo
Preceitos do Rito
O Rito Brasileiro é teista, afirmando a crença em um
Deus
Criador - Supremo Arquiteto do Universo.
Acata os Landmarques e os demais princípios tradicionais
da Maçonaria, atendendo a todos os requisitos
da Ortodoxia Maçônica.
A base do Rito é a Maçonaria Simbólica de São
João, sob a
jurisdição do Grande Oriente do Brasil. Sobre ela, eleva-se
a hierarquia de 30 Altos Graus, sob a jurisdição do
Supremo Conclave do Rito.
Dedica-se o Rito Brasileiro ao aperfeiçoamento dos
Maçons, conciliando a Tradição com a Evolução.
Especializa-se no cultivo da Filosofia, Liturgia, Simbologia,
História e Legislação Maçônica,
estudando os grandes
problemas nacionais e universais e suas implicações
e
consequência no futuro da Pátria e da Humanidade.
Combate a supertição, conciliando a Razão com
a Fé.
O incentivo e a prática do Civismo constituem-se
em um dos altos objetivos do Rito Brasileiro.
Revista "A Trolha"
nr. 142 Agosto/98
SUPREMO CONCLAVE AUTÔNOMO
DO RITO BRASILEIRO
FUNDADO EM 1974
ATA DE FUNDAÇÃO
Aos 10 dias de fevereiro
de 1974, E.V., no Templo da Loja Maçônica Labor e Civismo,
Oriente de Cataguases MG, presentes os Irmãos que esta subscrevem,
foi fundado o Supremo Conclave do Brasil – Rito Brasilaieo –
Autônomo, para a efetivação do objetivo, foram
tomadas as seguintes deliberações:
A denominação será SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL
– RITO BRASILEIRO – AUTÔNOMO;
A duração deste Supremo Conclave se dará até
que haja a pretendida pacificação no Grande Oriente
do Brasil.
As Lojas que se integrarem no Supremo Conclave ora fundado, sob a
bandeira da renovação maçônica que já
flutua gloriosamente em todos os Estados do Brasil, serão consideradas
fundadoras;
Embora fundado para resolver a situação das Lojas do
Rito Brasileiro, subordinadas ao Grande Oriente de Minas Gerais, este
Supremo Conclave poderá manter tratados de amizade com outros
Grandes Orientes Estaduais;
A instalação do Supremo Conclave se dará no dia
14 de julho de 1974;
Os fundadores elegem a seguinte comissão para as providências
da instalação definitiva:
Lysis Brandão da Rocha,
Carlos Estanislau Garcia Esteves e
Telmo Assis Amand;
A Grande Secretaria
do Supremo Conclave do Brasil – Rito Brasileiro – Autônomo
se coloca à disposição de todas as Lojas e Irmãos
do Brasil, no seguinte endereço: Caixa Postal 84, fones 2495,
2748 ou 2572 – Cataguases – Minas Gerais. E nada mais
havendo a tratar, ratificando a fundação do Supremo
Conclave do Brasil – Rito Brasileiro – Autônomo,
como efetivamente fundado fica, lavrou-se a presente ata que depois
de lida e aprovada vai assinada.
Oriente de Cataguases, 10 de fevereiro de 1974 E. V.
Fundadores:
Lysis Brandão da Rocha, Grau 33;
Rosenwald Hudson de Oliveira, Grau 33;
Elvio Heleno de Azevedo, Grau 33;
Telmo Assis Amand, Grau 33;
Carlos Estanislau Garcia Esteves, Grau 33;
Paulo Pessoa de Souza, Grau 33;
Onofre de Castro Neves, Grau 33;
Francisco Raimundo de Sousa, Grau 33.
Lojas integradas no Rito Brasileiro participantes
da fundação:
- Loja Maçônica Monte das Oliveiras – Or. De Oliveira
MG
- Loja Maçônica Austeridade e Justiça –
Or. De Sete Lagoas MG
- Loja Maçônica Labor e Civismo – Or. de Cataguases
MG
- Loja Maçônica Estrela do Oeste de Minas – Or.
de Divinópolis MG
===================================================
ALTOS CORPOS JÁ INTEGRADOS:
Grande Conselho Tiradentes – Clima de Cataguases
MG
Sublime Capítulo Vila Rica – Vale de Cataguases MG
Grande Conselho Francisco Gontijo de Azevedo – Clima de Divinópolis
MG
Sublime Capitulo Mestre Rangel – Vale de Divinópolis
MG

Lauro Sodré,
Grão-Mestre da Ordem Maçônica no Brasil;
Faz Saber a todos os maçons e oficinas da Federação,
para que cumpram e façam cumprir, que em sessão efetuada
no dia 21 de dezembro deste ano, o IL.'. Cons.'. Ger.'. da Ord.'.
aprovou o reconhecimento e incorporação do Rito Brasileiro
entre os que compõem o Gr.'. Or.'. do Brasil, com os mesmos
ônus e direitos, regidos liturgicamente pela sua Constituição
particular, respeitado o dispositivo do Art. 34 do Reg.'. Ger.'.,
ficando autorizada a funcionar a sua Gr.'. Loj.'., intermediária
das relações entre os IIr.'. do Rito e entre estes e
os Poderes Maçônicos de que trata o art.'. 4º do
Reg.'. Ger.'., o que é promulgado pelo presente Decreto.
O po.'. ir.'. Gr.'. secr.'. Ger.'. da Ord.'. é encarregado
de fazer a publicação deste Decreto.
Dado e traçado na Gr.'. Secr.'. Ger.'. da Ord.'., na cidade
do Rio de Janeiro, aos 23 dias do 10º mês do ano de 5914,
v.'. l.'. - 23 de dezembro de 1914, e.'. v.'.
Lauro Sodré, 33.'.
Gr.'. Mest.'. da Ord.'.
Ticiano Corregio Daemon, 33.'.
Gr.'. Secr.'. Ger.'. da Ord.'.
A.O. de Lima Rodrigues, 33.'.
Gr.'. Chanc.'.
================================================================================
RITO BRASILEIRO
A Criação do Rito Brasileiro
na Maçonaria no Brasil e os Intelectuais no Processo de Construção
da Identidade Nacional na República Velha
Introdução
Ao se fazer uma leitura do processo
– longo, talvez, inacabado – de construção
de uma identidade nacional no Brasil, depara-se com um tema que, em
outro momento, poderia passar despercebido; porém,, com a possibilidade
de se fazerem novas abordagens historiográficas, pode-se entender
a escolha do objeto de estudo que se apresenta como uma pequena reflexão
sobre a similaridade entre a construção efetiva de uma
Maçonaria no Brasil com características brasileiras
– o Rito Brasileiro – e o processo de construção
dos intelectuais de uma identidade nacional.
Entende-se que seja dificultoso, num
trabalho dessa extensão, encerrar a questão, o que não
se propõe; porém, percebe-se que a intelectualidade
brasileira e um grupo de maçons enxergaram e sofreram os mesmos
estímulos desse processo.
O trabalho pautar-se-á basicamente
no período conhecido como a República Velha.
Fundamentação
Concordando com o dizer da professora
Ângela de Castro Gomes na orelha do livro de Alexandre Mansur:
(...) Há alguns temas que,
com grande persistência, permanecem sem receber muita
atenção.(...)No Brasil,
um bom exemplo são os estudos que se dedicam à Maçonaria.(Orelha
do livro: Barata, Alexandre Mansur)
Optou-se por se estudar como se articulou
a criação do Rito Brasileiro com o processo de construção
de uma identidade nacional pela intelectualidade no Brasil.
Cabe agora, para facilitar a leitura,
definirem-se dois conceitos fundamentais: Maçonaria e Rito.
Optou-se por uma definição
clássica de Maçonaria, o que não atrapalha o
desenvolvimento do trabalho.
Maçonaria: É uma ordem
e comunhão universal, de homens livres e de bons costumes,
de qualquer nacionalidade, credo ou raça, todos acolhidos por
iniciação e congregados em Lojas, nas quais, por métodos
ou meios racionais auxiliados por símbolos e alegorias com
a constante investigação da Verdade e o máximo
de estímulo às Ciências e às Artes, estudam
e trabalham para a construção da sociedade humana fundada
no Amor ao Próximo, na Paz Universal e na Evolução
para o máximo de felicidade e bem-viver de todos os homens(Eubiótica).(Filho,
Teobaldo Varoli:19)
Rito: (latim: ritus, cerimônia)1(...)
2 – Na Maçonaria, que conta com algumas dezenas de Ritos,
se entende como tal o conjunto de regras segundo as quais se praticam
as cerimônias e se comunicam os graus, sinais, toques, palavras
e todas as demais instruções secretas daí decorrentes.
Igual nome toma o conjunto de cerimônias e instruções
primitivas de cada sistema, como também o governo maçônico
dos altos corpos dirigentes da Maçonaria em cada país.
Os Ritos, independentes e autônomos entre si, são dirigidos
por um corpo superior(...)(Figueiredo, Joaquim Gervásio: 391)
Roberto Reis ao criticar o cânon
literário brasileiro salienta:
(...)que o ideário romântico
no Brasil é um projeto de afirmação da nacionalidade,
no que se encontrava em total respaldo do Segundo Reinado, igualmente
empenhado e enfileirar o país ao lado das nações
civilizadas.(Reis, Roberto: 79)
O que ratifica a idéia em desenvolvimento
acerca da presença dos maçons nesse processo. No século
XIX, a intelectualidade estava atenta a esse processo nacionalista,
Casimiro de Abreu e Castro Alves eram dessa época e foram maçons.
Com a variedade dos ritos maçônicos,
como o Inglês, Alemão, Francês, chamados Ritos
Nacionalistas, entende-se ser natural que os maçons brasileiros
se preocupassem com essa nova mentalidade de caráter nacionalista
na sua forma de pensar a Maçonaria, sem se distanciar do cosmopolitismo.
Sabe-se que esse processo de criação
não ocorreu de uma forma tranqüila e sem desavenças.
Na própria história da Maçonaria, como na do
Brasil, houve rupturas, o que é natural.
A identidade social de grupo faz parte
de um processo histórico, isto é, o grupo tem que se
perceber diferente de outro.
Roberto Reis afirma ainda:
(...) Não existem pesquisas
de fôlego (...) sobre(...) a Maçonaria.(Idem: 79)
Pauta-se a pesquisa no que se refere
a:
(...) influência destas e de
outras instituições, enquanto instâncias de autenticação
e reprodução literária.(Ibidem: 79)
Roberto Reis analisa mais na área
da Literatura, o que não interfere no nosso processo de análise
no âmbito da intelectualidade.
Ora, acredita-se em que o processo
de criação do Rito Brasileiro seja uma assinatura nesse
processo autenticador de uma identidade nacional.
Célia Maria no prefácio
do livro do Alexandre Mansur Barata afirma que o autor:
(...) comprova que a Maçonaria
teve uma atuação expressiva no período de 1870
a 1910, engajando-se nos mais diversos debates intelectuais.(Barata,
Alexandre Mansur:16)
A própria autora incita que
o livro:
(...) instigue um reflexão
sobre o silêncio instaurado pela historiografia acadêmica
em torno da Maçonaria no período de constituição
da nação brasileira.(Idem:17)
No novo livro sobre a Constituição
e Regulamento do Rito Brasileiro e sobre os Estatutos do Supremo Conclave
do Brasil, Fernando de Faria cita em “O Fundamento Doutrinário
do Rito que:
(...) Álvaro Palmeira denominaria
“Apelo de um Século” ao chamamento que o maçom
português Miguel Antônio Dias(...) fez(...) considerando
os Ritos então existentes em 1864, começa pelo Rito
Francês(...) porém, à página seis do primeiro
volume:
Não foi pretensão nossa
inculcarmos o Rito Maçônico Francês(...)mas, bem
pelo contrário, nós solicitamos aos Obreiros Lusitano
e Brasileiro a fazer um rito novo e independente que(...) tenha contudo
os altos Graus Misteriosos diferentes e nacionais.
(...) a conservação
de um Rito Universal parece-nos quase impossível; talvez que
um tão gigantesco projeto só poderá ter realidade
no vigésimo século.(Faria, Fernando: 7,9)
Pode-se já se conjeturar que
houve uma preocupação de se nacionalizar algo que é
universal. Pensar a Maçonaria do Brasil, sem alterar os traços
universalizantes, da mesma forma que procurou também se pensar
o Brasil de uma maneira brasileira.
No período a que se propõe
refletir houve o que Sérgio Miceli salienta:
(...) nessa fase se desenvolveram
as condições sociais favoráveis à profissionalização
do trabalho intelectual(...) em conseqüência das exigências
impostas pela diferenciação do trabalho de dominação.(Miceli,
Sérgio: 16)
Alguns tópicos sobre a História
do Rito Brasileiro
A própria história do
Rito Brasileiro se coaduna com essa idéia de dominação,
pois para o Rito se estabelecer e se consolidar no Brasil, houve uma
necessidade de se organizar uma Oficina-Chefe, um Supremo Conclave,
que organizasse e pudesse exercer um caráter doutrinador.
Fernando de Faria num prefácio
de Mario Name afirma num momento:
(...) O Rito não prosperou,
em 1914 e em tentativas posteriores, por falta de uma Oficina-Chefe
que lhe prestasse cuidados especiais, que elaborasse rituais, formulasse
leis, inclusive Constituição(...)(Name, Mario: 21)
No trabalho de Alexandre Mansur há
afirmações relevantes quanto a esse processo, porém,
questiona-se o porquê dele não fazer referência
à criação do Rito Brasileiro, ou talvez da germinação
desse Rito nos idos de 1878. Por ele se ater até 1910, pode-se
considerar que achou desnecessário fazer tal referência.
No final do século XIX, um
grupo de maçons sentiram necessidade de fundar um Rito de caráter
nacional, não poderia ser diferente dos demais, porém,
poderia ter algumas características particulares que o diferenciassem
dos outros, o que não seria nada de mais, pois já havia
outros Ritos nacionalistas, já citado acima.
Um comerciante, José Firmo
Xavier, em Pernambuco, funda a Maçonaria Especial do Rito Brasileiro
em 1878. O que vale ressaltar:
Embora não haja documentação
de reconhecimento do Rito pelo Grande Oriente do Brasil à época,
existem na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, dois códices
que pertenceram ao Imperador D. Pedro II que nos dão um idéia
geral de sua estruturação(...)(Name, Mario: 36,37)
O processo da criação
do Rito coincide sempre com momentos nebulosos da História
do Brasil, principalmente de ambientação e caráter
nacionalistas, como por exemplo, a Primeira Guerra Mundial, a Segunda
Guerra Mundial o ano do AI-5. As datas de 1914, 1940 e 1968 foram
marcantes para o Rito, como para a construção da identidade
nacional brasileira.
Segundo Name:
Em 1914, começa, verdadeiramente,
a história contemporânea do Rito Brasileiro.(Name, Mario:
57)
Vale ressaltar, o Grão-Mestre
do Grande Oriente do Brasil era Lauro Sodré, que, por decreto,
nº 500, de 23 de dezembro de 1914, cria o Rito Brasileiro.
Lauro Sodré foi um político
e militar brasileiro, logo, a sua atuação nesse processo
de identidade nacional é explicável..
A Primeira Guerra traz uma mudança
para interferir no processo da idéia de legalidade, pois havia
o Brasil LEGAL, o das instituições jurídicas.
Name continua:
Sabemos que o Rito nasceu dentro do
GOB(Grande Oriente do Brasil) numa época que despertou muito
o sentimento cívico e patriótico dos seus dirigentes,
já que era início da Primeira Guerra Mundial. Coincidência
ou não, corroborando esse fato, em 1914, quando o Rito foi
criado, o Grão-Mestre (...) Lauro Sodré era General
do Exército.(...) foi reconhecido e consagrado na gestão
do então Grão-Mestre em Exercício CONTRA-ALMIRANTE
(...) Veríssimo José da Costa.(Name, Mario: 65)
Com um racha no Oriente de São
Paulo, proveniente de uma eleição discutível,
houve a criação de um Oriente Independente nesse estado.
Vale ressaltar, esse fato ocorreu em 29 de julho de 1921, alguns meses
antes da Semana da Arte Moderna, marco, nessa época, da independência
artística brasileira: o encontro da sua identidade nacional.
Em São Paulo, nesse período,
foi onde o Rito Brasileiro nasceu novamente e acabou morrendo, para
renascer novamente em 1940, o que nesse trabalho, não é
relevante pela limitação cronológica.
O que vale ressaltar é que
nesse período, entre 1878 a 1922, houve várias dissidências
e desavenças na criação do Rito.
Algumas considerações
sobre os Intelectuais
Os intelectuais no Brasil tiveram
problemas semelhantes no que se refere à identidade nacional.
O Brasil na guerra é forte.
Olavo Bilac no seu livro Contos Pátrios, em co-autoria com
Coelho Neto nos mostra um país forte, que modifica padrões.
Há que se ter uma harmonia
das raças.
Segundo Pècaut:
(...) o processo de conversão
dos intelectuais em agentes políticos assumiu, a partir de
1915, o caráter de um movimento global e realizou-se de diversas
formas: vaga nacionalista, modernização cultural(...)(Pècaut,
Daniel: 24)
A idéia nacionalizante não
era apenas uma idéia para a intelectualidade, se tornou um
ideal.
A partir de 1915, o nacionalismo invadiu
a cultura brasileira.(Idem: 25)
Raros foram os participantes da Semana
da Arte Moderna que não se alinharam, logo depois, como militantes
no terreno do nacionalismo.(...) Menotti del Picchia(...) menciona
a Semana da Arte Moderna como “o primeiro sintoma espiritual
da transmutação de nossa consciência.(Ibidem:27)
Alexandre Mansur Barata, na sua tese
identifica dois pontos importantes nesse processo de institucionalização
maçônica:
Sem sombra de dúvida, com a
República, a Maçonaria conheceu importantes transformações
no seu processo de institucionalização. Além
do expressivo aumento de lojas em funcionamento, verificou-se um processo
de “nacionalização” e de “federalização”
do movimento maçônico.(Barata, Alexandre Mansur: 82)
Entendem-se aqui esses pontos como
uma abrangência maior das lojas no Brasil, principalmente em
Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia,
estados significativos no Congresso Nacional e na cultura brasileira.
Continua Alexandre:
Células básicas da Maçonaria,
as lojas se transformaram, entre 1870 a 1910, em centros de discussão
e de formação de consenso sobre os grandes temas que
procuravam construir uma nova identidade nacional.(Barata, Alexandre
Mansur: 117)
Não estamos retratando aqui
a participação da Maçonaria no processo emancipacionista
escravocrata, nem na Questão Religiosa e muito menos na Proclamação
da República, pois, acredita-se em que fugiria do objeto de
estudo, por ser em época anterior.
Sabe-se que a República Velha
acabou ficando conhecida como aquela em que a camada mais popular
ficou numa situação excludente, o que precisava ganhar
força.
A intelectualidade da época,
em seus trabalhos, procuraram identificar e caracterizar essa nova
voz que se apresenta.
Paulo Barreto, o João do Rio,
por exemplo, no seu livro “A Alma encantadora das Ruas”,
falava do cigano, das prostitutas, dos presidiários, objetos
de escrita que me Machado de Assis, por exemplo, não se apresentava.
Paulo Barreto foi para a rua ver o povo, escrever sobre ele.
Dentre tantos aspectos levantados
por Alexandre Mansur, vale ressaltar a importância que a Maçonaria
dava à cultura - já pensando, talvez, num nação
culta, ilustrada – através do incentivo às bibliotecas
e às escolas primárias.
Entretanto é a construção
de uma ampla rede de escolas primárias e de bibliotecas que
pode ser considerado o instrumento mais sólido utilizado pela
Maçonaria para a divulgação das suas idéias.(Barata,
Alexandre Mansur: 138, 139)
Em 1917, surge “Juca Mulato”,
de Menotti del Picchia, poeta paulistano, que nos mostra um personagem
que se materializa no ideal de força e harmonia, pois Juca
Mulato é “forte como a peroba e livre como o vento”.
Alfredo Bosi observa em “Juca
Mulato” de Menotti del Picchia,:
(...) lhe permitiu aproximar-se do
leitor médio e roçar pela cultura de massa(...)(Bosi,
Alfredo: 413)
Participar desse processo cultural
e dar oportunidade a uma classe menos representada na elite cultural,
como leitor foi uma das conseqüências desse processo ideal
nacionalizante.
Pècaut nos sinaliza com uma
observação importante:
Para todos os intelectuais havia uma
única palavra de ordem: dar um fim ao hiato que a República
criara entre o “país político” e o “país
real” e, assim propor, instituições que correspondessem
à realidade nacional(...) tratava-se de levar em conta a sociedade
brasileira tal como era.(Pècaut, Daniel: 42)
Paulo Menotti del Picchia, paulista,
advogado é citado em Bosi dessa forma:
Conviveu na primeira mocidade com
os últimos baluartes da literatura antemodernista, mas , passada
a I Guerra Mundial, aproximou-se do grupo que faria a Semana da Arte
Moderna, de que foi articulador e aguerrido participante.(...)(Bosi,
Alfredo: 413)
Menotti del Picchia foi maçom,
o que se acende uma luz nesse processo que ora se apresenta. Há
poucas referências de maçons na Semana da Arte Moderna,
há de se pesquisar nas lojas, mas, há realmente, de
uma forma palpável, a presença de Menotti del Picchia,
pois no próprio título do livro que mais o marcou na
História da Literatura Brasileira segundo os cânones
já ocorre a idéia nacionalizante: “Juca”,
vocativo de caráter popular e “Mulato”, o produto
da nossa miscigenação, isto é, Juca Mulato pode
ser uma metáfora do homem brasileiro da época.
Essa observação se leva
a concordar com as observações de Roberto Reis citada
na introdução.
Conclusão
Após se fazer uma pequena reflexão
sobre o processo de formação da identidade nacional
no Brasil, pode-se concluir que houve uma similaridade de ideais nessa
construção, mesmo que andando em caminhos distintos.
A Semana da Arte Moderna foi o marco
da conquista do espaço nacional na Arte. Fora desavenças
histórico-literárias, questiona-se a importância
de alguns autores que foram significativos nesse período inicial,
mesmo que não estivessem antenados com a o nacionalismo moderno,
como Lima Barreto, em Triste Fim do Major Policarpo Quaresma ou Os
sertões, de Euclides da Cunha.
Miceli nos fala nesse período
dessa forma:
A história literária
adotou tal expressão(pré-modernismo) com vista a englobar
um conjunto de letrados que, segundo os princípios impostos
pela “ruptura” levada a cabo modernistas, se colocariam
fora da linhagem estética que a vitória política
do modernismo entronizou como dominante.(Miceli, Sérgio: 15)
O que não desmerece a postura
nacionalizante, criticista até em alguns personagens de Lima
Barreto no livro citado, pois ainda estava em fase de formação.
Acredita-se em que se pôde levantar
algumas questões sobre o entrelaçamento de ideais maçônicos
e dos intelectuais na primeira república.
Optou-se nesse trabalho levantar apenas
questões. Não se estudou qual a postura desses intelectuais
e maçons no processo construtivo nacionalista, há algumas
lacunas a serem preenchidas, como, por exemplo, Menotti del Picchia,
mais tarde, passar para uma
“(...)ideologia trabalhista,
militando largos anos no partido fundado por Vargas”.(Bosi,
Alfredo: 413).
Mas isso é outra história.
Bibliografia:
Barata, Alexandre Mansur. Luzes e
Sombras. A Ação da Maçonaria Brasileira(1870-1910),
Campinas, SP, Editora da Unicamp, 1999
Bosi, Alfredo. História Concisa
da Literatura Brasileira. SP, Cultrix, 1977.
Faria , Fernando. Apresentação.
In Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos(A Maçonaria
Renovada) – A Constituição do Rito – Regulamento
do Rito no Brasil – Estatutos do Supremo Conclave.1ª edição,
RJ: Supremo Conclave, 2001.
Figueiredo, Joaquim Gervásio.
Dicionário de Maçonaria, seus mistérios, seus
ritos, sua filosofia, sua história. 2ª edição
revista e atualizada, SP, Pensamento,1974.
Filho, José Carlos de Almeida.
A Maçonaria ao Alcance de Todos, RJ, Gráfica do Grande
Oriente do Brasil, 1999.
Filho, Theobaldo Varoli. Curso de
Maçonaria Simbólica – Aprendiz – Tomo I.
SP, A Gazeta Maçônica,?
Miceli, Sérgio. Intelectuais
à Brasileira. SP, Companhia das Letras, 2001.
Name, Mario. Rito Brasileiro de Maçons
Antigos, Livres e Aceitos, Paraná, Editora Maçônica
“A Trolha” Ltda, 1992.
Pècaut, Daniel. Os Intelectuais
e a Política no Brasil - entre o Povo e a Nação.
SP, Ática, 1990.
Picchia, Menotti del. Juca Mulato.
SP, Companhia Editora Nacional, 1941.
Roberto Reis. Cânon, in: Jobim,
Luis José. Palavras da Crítica – Tendências
e Conceitos no Estudo da Literatura, RJ, Imago, Biblioteca Pierre
Menard, 1992.
CONCEITOS BÁSICOS DO RITO BRASILEIRO
Histórico do Rito Brasileiro
Prestigiar ou aderir a uma Loja do
Rito Brasileiro deve ser considerado uma legítima afirmação
de Brasilidade e um autêntico ato de amor ao Brasil.
Dos diversos ritos praticados pela
Maçonaria Regular, em todos os recantos da Terra, o Rito Brasileiro
é um deles. O Rito Brasileiro à muito tempo é
Regular, Legal e Legítimo. Acata os Landmarks e os demais princípios
tradicionais da Maçonaria, podendo ser praticado em qualquer
país.
Teria sido o embrião do Rito
Brasileiro o apelo feito por um irmão Lusitano, um Cavaleiro
Rosa Cruz, no ano de 1864, dirigido aos Orientes Lusitano e Brasil,
no sentido de que fosse criado um Rito novo e independente, mantendo
os três graus simbólicos, de acordo com a tradição
maçônica, comum a todos os ritos e, os demais, altos
graus, fossem diferenciados com características nacionais.
Este apelo vinha com a seguinte afirmação: “Convimos
em que semelhante reforma é contraria ao cosmopolismo e a tolerância
Maçônica mas também é verdade que, enquanto
os Maçons forem patriotas, e os povos fisicamente desiguais,
a conservação de um Rito Universal, parece-nos impossível:
Talvez que um tão gigantesco projeto só poderá
ser possível no vigésimo século”. Esta
idéia está publicada às páginas 6, vol.
I da obra clássica em Maçonaria, intitulada Biblioteca
Maçônica ou Instrução Completa do Franco-Maçom,
publicada em Paris, por Ailleaud Guillard.
Em 1878, em Recife surgiu a Constituição
da Maçonaria do Especial Rito Brasileiro com aval de 838 obreiros,
presidido pelo comerciante José Firmo Xavier, para as Casas
do Circulo do Grande Oriente de Pernambuco; Esta Constituição
era Maçonicamente totalmente irregular, pois a mesma além
de se assentar sob os auspícios de sua Majestade Imperial Dom
Pedro II, Imperador do Brasil, da Família Imperial e sua Santidade
Sumo Pontífice o Papa, nela estava incluído vários
preceitos negativos, como por exemplo: A admissão somente de
Brasileiros natos, e em seu artigo 4° afirmava que uma das finalidades
do Rito era defender a Religião Católica e sustentar
a Monarquia Brasileira. Evidentemente o Rito não prosperou,
pois era Irregular. Esta Constituição se encontra na
Biblioteca Nacional e também publicada nos livros A Maçonaria
e o Rito Brasileiro, de Hercules Pinto,Editora Maçônica,
1981 e Rito Brasileiro de Maçons Antigos Livres e Aceitos de
Mário Name, Ed. A Trolha, 1992.
Em 21 de dezembro de 1914, na reunião
do Conselho Geral da Orem, presidido pelo Soberano Grão Mestre
Lauro Sodré, o irmão Eugênio Pinto, orador interino,
fez a proposta para a criação do Rito Brasileiro, quando
foi aprovada a criação do Rito Brasileiro.
Em 23 de dezembro de 1914, surgiu
o decreto n° 500, que deu o conhecimento aos Maçons e Oficinas
da Federação, da aprovação, do reconhecimento
e da adoção do Rito Brasileiro. Kurt Prober, pesquisador
maçônico, tece severas críticas à forma
de criação do Rito, alegando: que o quorum da reunião
era insuficiente, realizada ao apagar das luzes e que o Rito teria
sido invenção dos militares.
Em 1916, Lauro Sodré, afastou-se
do 3° mandato de Soberano Grão Mestre do GOB, assumindo
em seu lugar Veríssimo José da Costa que encaminhou
o decreto n° 500 para a aprovação da Soberana Assembléia
Geral. Assim através de um novo decreto, desta vez, o de n°
536, de 17 de outubro de 1916, reconheceu, consagrou e autorizou o
Rito, criado e incorporado ao GOB.
Em junho de 1917, o Conselho Geral
da Ordem aprovou a constituição do Rito com seus regulamentos,
estatutos e rituais. Mesmo assim o Rito não prosperava pela
falta de uma oficina chefe e de rituais publicados.
Em agosto de 1921, através
do decreto n° 680, o Soberano Grão Mestre do GOB expulsou
o Grão Mestre e outros 45 Veneráveis de Lojas do Estado
de São Paulo, cassando as cartas constitutivas daquelas Oficinas,
que passaram a adotar o Rito Brasileiro, publicaram rituais para os
três primeiros graus, cópias fiéis do Rito Escocês.
Em 1940, Álvaro Palmeira propõe
a formação de uma comissão para analisar, estudar
e atualizar o projeto do Rito Brasileiro, que naquela época
achava-se adormecido.
Em 1941, foi instalado o Supremo Conclave
do Rito Brasileiro através do ato n° 1636. Este Supremo
Conclave viria adormecer, pois havia pequenas diferenças entre
o Grão Mestre Rodrigues Neves com o presidente do Supremo Conclave
Otaviano Bastos.
Em 1968, considerado o ano da implantação
do Rito Brasileiro, Álvaro Pimenta Soberano Grão Mestre
assinou o decreto n° 2080, reativando o Supremo Conclave, determinando
que 15 irmãos revissem a Constituição do Rito,
adequando-a às exigências internacionais de regularidade,
fazendo um Rito Universal, separando o simbolismo dos altos graus,
conciliando a tradição com a evolução.
Publicou-se os rituais necessários.
Atualmente o Rito Brasileiro é
uma realidade vitoriosa. Possui organização e doutrina
bem estruturadas, que muito se diferencia da organização
e doutrina incipientemente propostas ao longo de sua história.
Solidamente constituído é praticado por mais de 150
Oficinas Simbólicas distribuídas por quase todas as
unidades da Federação. É o segundo Rito mais
praticado no Brasil. O Supremo Conclave do Rito Brasileiro tem sede
no Oriente do Rio de Janeiro, à Rua do Lavradio, n° 100.
Estrutura doutrinária do Rito
Brasileiro
Em cinco segmentos se estrutura o
Rito:
Lojas Simbólicas 1° ao
3° grau
1° Grau – consagrado à
fraternidade dos irmãos, união dos irmãos.
2° Grau – consagrado à
exaltação do trabalho e ao estimulo da solidariedade.
3° Grau – consagrando o
princípio que a vida nasce da morte.
Capítulos 4° ao 18°
grau
Dedicados ao estudo da Filosofia Moral,
14 virtudes culminando com o grau Rosa Cruz, moral e espiritual, degrau
capitular máximo.
Grandes Conselhos 19° ao 30°
grau
Dedicados aos estudos dos problemas
nacionais e da humanidade.
19° ao 22° - aspectos ligados
à economia.
23° ao 26° - aspectos ligados
à organização da sociedade.
27° ao 30° - aspectos ligados
à arte, ciência, religião e à filosofia.
Altos Colégios 31° e 32°
grau
Dedicados ao bem público e
ao civismo, a abordagem de assuntos políticos, tratados elevadamente,
sem injunções partidárias.
Sumo Grau 33
Máximo na hierarquia de caráter
administrativo, com tendência em grau superior.
Algumas Características básicas
do Rito Brasileiro
Cada Rito possui modo próprio
de realizar suas cerimônias, respeitados os limites bem conhecidos,
sob pena de heresia maçônica. O importante é que
todos os Ritos tem o mesmo objetivo, qual seja, o de ordenar a prática
dos estudos maçônicos. Enumeramos algumas características
do Rito:
Uso de Bastões
É por tradição,
o uso de bastões pelo Mestre de Cerimônias e Diáconos.
O Retorno da Palavra Sagrada
Peculiaridade do Rito, tem como objetivo
simbólico de confirmar a boa condução dos trabalhos
e sua conclusão. A palavra vai e volta, imantando e desimantando.
Sinais
Além dos sinais habituais,
temos os sinais de obediência e do rito.
O Giro da Sacola
Em três sub-giros: no oriente,
na coluna do norte e na coluna do sul. Todos iniciando pelas luzes
da região.
Cerimônia das Luzes
Realizada pelo Venerável Mestre
com o auxilio do 1° e 2° Vigilante. Os três são
as três luzes que iluminam a Loja. As 3 luzes místicas
representam e evocam a onisciência (sabedoria – VM), a
onipotência (força – 1° Vig.) e a onipresença
divina (beleza – 2° Vig.).
Inversão das Colunas Maçônicas
É uma questão complexa,
mas caracteristicamente o Rito inverte a coluna dentro do templo.
Coluna "J" a direita.
Colunas Norte e Sul
Baseados no Hemisfério Sul,
com pouca luz, os aprendizes sentam-se na coluna do sul e os companheiros
na do Norte.
Aclamação e Bateria
Glória, Gloria, Gloria. o-oo
Ir.'. Valdir Roberto Galdeano, pedrogal@zaz.com.br
Gr. Secr. Adj. de Orientação
Ritualística
Rito Brasileiro