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RITO ESCOCÊS ANTIGO
E ACEITO

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Nêodo Ambrósio de Castro
neodoac@terra.com.br
O Rito Escocês Antigo e Aceito, nasceu na Franca, como
"o rito dos Stuart, da Inglaterra e da Escócia" tendo sido a primeira
manifestação maçônica em território francês (1649), antes mesmo da
fundação da Grande Loja de Londres (1717).
Desde a criação da Grande Loja de Londres em 1717,
apareceram na França dois ramos distintos da Maçonaria. Um dependente
da Grande Loja de Londres e outro (escocês) autônomo que não estava
ligado a nenhum sistema obediencial.Viviam sob o antigo preceito maçônico
de que os maçons tinham o direito de constituir lojas sem prestar
contas de seus atos a uma autoridade ou poder supremo ("O Maçom Livre
na Loja Livre").
As Lojas Escocesas eram maioria, na França. Até 1766,
somente três Lojas, entre as 487 Lojas existentes, tinham patente
da Grande Loja de Londres.
Em 1758 criou-se, no escocesismo, os altos graus (25
graus do chamado rito de Héredom) que no entanto só foi plenamente
estabelecido 1801 com a fundação em Charleston (Estados Unidos), do
primeiro Supremo Conselho do Mundo do chamado Rito Esconcês Antigo
e Aceito.
A DOUTRINA INICIÁTICA DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
Os principais pontos da Doutrina do Rito Escocês Antigo e Aceito estão
contidos nas instruções dos três Graus Simbólicos.
Embora existam variações de Obediência para Obediência e de país para
país, as linhas mestras de doutrina estão sempre presentes e podem
servir para os ensinamentos em qualquer parte do mundo. São elas:
1. A maçonaria é uma associação íntima de homens e mulheres escolhidos,
cuja doutrina tem por base o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus;
como regra: a lei Natural;por causa: a Verdade, a Liberdade, a Fraternidade
e a Caridade; por frutos: a Virtude, a Sociabilidade e o Progresso;
por finalidade: a felicidade de todos os povos, que ela procura, incessantemente,
reunir sob sua bandeira de Paz. Assim, nunca deixará, a Maçonaria,
de existir no gênero humano.
2. Os deveres de um Maçom são:
· Honrar e venerar o Grande Arquiteto do Universo, a quem agradece,
todos os dias,pelas boas ações que pratica, em relação ao próximo,
e os bens que lhe couberem em partilha.
· Tratar todos os seres humanos como seus iguais irmãos, sem distinção
de sexo, raça, nacionalidade e classe social.
· Combater a ambição, o orgulho, o erro e os preconceitos.
· Lutar, sempre, contra a ignorância, a mentira, o fanatismo e a superstição,
que são flagelos provocadores de todos os males que afligem a humanidade
e impedem o progresso.
· Praticar a justiça recíproca, como verdadeira salvaguarda dos direitos
e dos interesses de todos, e a tolerância, que dá, a cada um, o direito
de escolher suas opiniões e seus credos religiosos.
· Deplorar os que erram, esforçando-se, todavia, para reconduzi-los
ao caminho da Verdade.
· Socorrer os infortunados e os aflitos.
Esses deveres são cumpridos, porque o Maçom deve ter fé, que lhe dá
a Coragem, a Perseverança, que vence os obstáculos, e o Devotamento
, que o leva a praticar o Bem, mesmo com o risco de sua vida e sem
esperar nenhuma outra recompensa além da tranqüilidade de consciência.
3. O Sinal do Primeiro Grau significa a honra de saber guardar o segredo
preferindo ter a Garg.'. cort.'. a revelar os Mistérios da Ordem;significa
também, que o braço direito, símbolo da Força, está concentrado e
imóvel para defender a Maçonaria, com suas Doutrinas e seu Princípios.
4. Os passos em esquadria, representam o cruzamento de duas linhas
perpendiculares, único caso em que formam quatro ângulos retos iguais,
simbolizando a Retidão do caminho seguido e a Igualdade, um dos princípios
basilares da Instituição.
5. O candidato à iniciação consegue penetrar no Templo por três pancadas,
cujo significado é: "Batei e sereis atendido; pedi e recebereis; procurai
e encontrareis".
6. O candidato deve ser recebido numa Loja justa, perfeita e regular.
Para que uma Loja seja Justa e Perfeita, é preciso que três a governem,
cinco a componham e sete a completem. Existe outro conceito: Uma Loja
é justa quando estão presentes, no mínimo, sete Obreiros, e é perfeita
quando o Livro da Lei está aberto sobre o Altar dos Juramentos. Loja
regular é aquela que pertence a uma Obediência Maçônica regular e
reconhecida.
7. A venda nos olhos do candidato simboliza as trevas e os preconceitos
do mundo profano, mostrando, também, a necessidade que tem, o ser
humano, de procurar a luz entre os iniciados. O pé descalço, além
de demonstração de respeito ao adentrar o Templo, provocará uma marcha
claudicante, que simboliza o árduo caminho do candidato, em direção
a luz. O braço e o peito desnudos significam que o candidato dará
o seu braço em defesa da Ordem e o seu coração a todos os seus Irmãos.
As pontas do Compasso, sobre o peito, mostram, ao candidato, que,
se em sua vida profana, os seus sentimentos e as suas ações não foram
reguladas por esse instrumento da exatidão, isso deverá acontecer
a partir de sua Iniciação.
8. A Pedra Bruta é o emblema do Aprendiz, com representação de tudo
aquilo que se deve ser aperfeiçoado. O trabalho de desbastamento,
esquadrejamento e polimento da Pedra Bruta simboliza o próprio aperfeiçoamento
moral e espiritual do Neófito.
9. As Colunas Vestibulares do Templo possuem, simbolicamente, as dimensões
das colunas do Templo de Jerusalém: 12 de circunferência, 12 de base
e 5 nos capitéis. Essas dimensões, para colunas não destinadas à sustentação,
vão contra as regras da Arquitetura, no sentido de mostrar que a Ciência
e o Poder do Grande Arquiteto do Universo estão além das dimensões
e dos julgamentos humanos. As romãs, que as adornam, com milhares
de sementes contidas no mesmo fruto, embora em diversos compartimentos,
simbolizam o próprio povo maçônico universal, que, por mais multiplicado
que seja, constitui uma só família.
10. O Pavimento de Mosaico,formado por elementos brancos e negros,
e o emblema da irregularidade do solo e das dificuldades da caminhada
iniciática; simboliza, também, os opostos; a Virtude e o vício, a
Boa e a má sorte, a Sabedoria e a ignorância, o Bem e o mal. Com os
quadrados brancos e negros, unidos pelo mesmo cimento, ele é o símbolo,
também, da união entre os Maçons do planeta, independentemente de
raças, cores e credos políticos e religiosos.
11. A Espada Flamejante é o símbolo da Justiça, que deve punir todos
os que se afastarem do caminho do Bem; mostra, também, com sua forma
estilizada de um raio, que a justiça deve ser pronta e rápida, como
um raio.
12. O Esquadro,como jóia do Venerável Mestre, mostra que o dirigente
de uma Oficina deve, sempre, pautar os seus atos pela mais absoluta
retidão de caráter. O Nível, jóia do Primeiro Vigilante, simboliza
a igualdade social, que é a base do direito natural. O Prumo, jóia
do Segundo Vigilante, mostra que o Maçom deve ser reto em seus julgamentos,
sem ser influenciado por interesses pessoais, ou pelos seus próprios
sentimentos. O Nível e o Prumo, separados, nada valem numa construção;
ambos, todavia, completam-se, mostrando-se, que o Maçom deve cultuar
a Igualdade, nivelando todos os seres humanos, e a Retidão, que não
o deixará pender, para qualquer dos lados, pela amizade, ou pelo interesse.
13. A Loja, simbolicamente, apoia-se em três colunas (ou pilares);
Sabedoria, Força e Beleza. O Venerável representa a coluna da Sabedoria
porque dirige os Obreiros; o 1º Vigilante representa a coluna da Força
porque paga, aos Obreiros, o salário, que é a força e a manutenção
da vida; o 2º Vigilante representa a coluna da Beleza, porque faz
repousar os Obreiros, fiscalizando o seu trabalho. A Sabedoria, a
Força e a Beleza são complementos de todas as obras humanas; sem elas
nada é perfeito e durável, pois a Sabedoria cria, a Força sustenta
e a Beleza adorna.
14. A Maçonaria combate a ignorância, em todas as suas formas, porque
a ignorância é a mãe de todos os vícios e o seu princípio é nada saber,
saber mal o que se sabe e saber coisas outras além do que deveria
saber. Não pode, o ignorante, medir-se com o sábio, cujos princípios
são a tolerância, o amor e o respeito a si próprio. É por isso que
os ignorantes são irascíveis, grosseiros e perigosos; perturbando
e desmoralizando a sociedade, evita que os seres humanos conheçam
os seus direitos e saibam, no cumprimento dos seus deveres, que, mesmo
com constituições liberais, um povo ignorante é escravo.Inimigos do
progresso, afugentam as luzes, aumentam as trevas e permanecem em
eterno combate contra a Verdade, a Perfeição e o Bem.
15. A Maçonaria combate o fanatismo, porque a exaltação religiosa
perverte a razão e leva os insensatos à prática da ações condenáveis,
em nome de Deus e sob o pretexto de honrá-lo. O fanatismo é uma doença
mental, desgraçadamente contagiosa, que, estabelecida num país, toma
foros de lei, como nos execráveis autos da fé, que fizeram perecer
milhares de homens e mulheres úteis a sociedade. A superstição é um
falso culto mal compreendido, pleno de mentiras, contrário a razão
e as idéias sãs, que se devem fazer de Deus; é a religião dos ignorantes,
dos timoratos. O fanatismo e a superstição são os maiores inimigos
da religião e da felicidade das nações.
16. A Solidariedade, que deve existir entre os Maçons, é a mais pura
e fraternal, mas deve ser restrita aos que praticam o bem e sofrem
os espinhos da vida; aos que, nos trabalhos lícitos e honrados, são
infelizes; aos que embora com fortuna, sentem, na alma, o amargor
das desgraças. Onde houver uma causa justa,aí deverá se fazer sentir
a solidariedade maçônica. Quando, entretanto, um Maçom , olvidando
os princípios da Ordem, desvia-se da moral, tornando-se um mau cidadão,
um mau pai, uma má mãe, um mau filho, uma má filha, um mau marido,
uma má esposa, um mau irmão, uma má irmã, um mau amigo e uma má amiga;
quando, cego pelo ódio ou pela ambição, pratica atos considerados
indignos de um Maçom, ele rompe o compromisso de solidariedade que
não mais poderá existir, pois, se ela fosse mantida, haveria a conivência
com atos degradantes. Assim, o Maçom que procede mal, perde todo o
direito ao auxílio material e, principalmente, ao amparo moral de
seus Irmãos.
17. A Maçonaria combate a escravidão, porque todo o ser humano é livre,
podendo, porém, estar sujeito a entraves sociais, que o privem, momentaneamente,
de uma parte de sua liberdade e - o que é pior - o tornem escravo
de suas próprias paixões e de seus preconceitos. É desse jugo, exatamente
que se deve libertar o candidato à Luz Maçônica, já que o ser humano
que abdica, voluntariamente, de sua liberdade, não pode contrair nenhum
compromisso sério.
18. Os instrumentos necessários à transformação da Pedra Bruta em
Pedra Cúbica são: a princípio, o Maço e o Cinzel, em seguida a Régua
e o Compasso, depois a Alavanca e, finalmente, o Esquadro. O Maço
e o Cinzel, como instrumentos destinados e desbastar a Pedra Bruta,
mostram, ao Maçom, como devem ser corrigidos os seus defeitos, tomando
sábias resoluções (simbolizadas pelo Cinzel), que uma enérgica determinação
(simbolizada pelo Maço) coloca em execução. A Régua, permitindo o
traçado de linhas retas, que se podem prolongar ao infinito, simboliza
o direito inflexível, a lei moral, no que ela tem de mais rigorosa
e imutável. A esse absoluto, opõe-se o círculo da relatividade, cujo
raio é medido pelo afastamento das hastes do Compasso; como são limitados
os meios de realização humana, o plano de trabalho deve ser traçado,
levando em conta não só a idéia do abstrato, que deve ser seguida
(Símbolo= Régua), como a realidade concreta (Símbolo=Compasso), com
as quais o ser humano está acostumado. A Alavanca simboliza o poder
irresistível de uma inarredável vontade, quando sabiamente aplicada;
a Régua, todavia, é aplicada junto com a alavanca, para mostrar os
limites do poder e por que a vontade só é invencível quando colocada
a serviço do direito absoluto. O Esquadro, permitindo controlar o
corte das pedras,que devem ser regulares, para que se ajustem umas
as outras, com exatidão, determina, ao Maçom, que a perfeição consiste,
para o ser humano, na justeza com que se coloca na sociedade,
19. O sábio humilha-se, sempre, quando em presença de uma verdade
que ele reconhece superior à sua compreensão, esquiva-se, assim, de
ser o instrutor das multidões, porque, conscientemente, jamais poderia
satisfazer-lhes a justa curiosidade e, na impossibilidade de fazê-las
compreender o erro e de conduzi-las ao real caminho da Verdade, abandona-as
às suas grosseiras fantasias. O verdadeiro Iniciado, todavia, tem
o dever de acudir em auxílio a todos os que ele julgar iniciáveis,
daquele que, independentes, revoltam-se contra as tiranias e as arbitrariedades,
pois estes merecem ser ensinados a procurar os níveis, daquele que,
independentes, revoltam-se contra as tiranias e as arbitrariedades,
pois estes merecem ser ensinados a procurar o Real, o Verdadeiro,
sem a preocupação, nem a esperança de triunfo, que só é alcançado
pelo repouso de uma inteligência satisfeita. Embora, na realidade
o ser humano nunca possa chegar a saber, ele procura saber, buscando,
avidamente, adivinhar o Eterno Enigma, o enigma da vida, crente de
que este é o seu mais nobre e mais elevado destino. A Verdade, esse
mistério inacessível, que atrai o ser humano com uma força irresistível,
é muito vasta, muito viva, muito livre e bastante sutil, para se deixar
prender, imobilizar, estereotipar e petrificar na rigidez de um sistema
qualquer que ele seja. Os artifícios e as roupagens com as quais a
Verdade é revelada, para ser dada ao conhecimento público, só servem
para deturpá-la, tornando-a, geralmente, irreconhecível, já que tudo
o que se procura objetivar com o auxílio de subterfúgios, será sempre
um reflexo ilusório, uma imagem apagada da grande Verdade, que o Iniciado
busca, em vão, contemplar e encarar. Para isso, ele recebe a iniciação,
que ensina, principalmente co Companheiro e, em primeiro lugar, a
esquecer tudo aquilo que lhe é próprio, para, em seguida, concentrar-se,
descendo ao âmago dos próprios pensamentos, com o intuito de se aproximar
da fonte da pura Verdade, instruindo-se, assim, não pelas sábias lições
dos Mestres, mas pelo exercício constante de Meditação. Assim procedendo,
ele não conseguirá, naturalmente, aprender tudo quanto encerram os
livros e ensinam as escolas. Mas, para que sobrecarregar a memória,se,muitas
vezes o ser humano engana-se com o caráter ilusório do que lhe parece
verdadeiro? o simplesmente ignorante está mais próximo da verdade
do que do fátuo e arrogante, que se jacta de uma ciência enciclopédica,
apoiada, unicamente, em falsas noções. Em matéria de saber, a qualidade
supera a quantidade; é preferível saber pouco, mas este pouco saber
bem. Deve, o Iniciado, saber distinguir o real do aparente, não se
apegando, apenas, às palavras, às expressões, por mais belas que elas
pareçam; deve se esforçar para discernir aquilo que é inexplicável,
intraduzível, a Idéia-Princípio, o âmago, o espírito, sempre mal e
imperfeitamente interpretado nas mais bem construídas frases. Só dessa
maneira é que ele afastará as trevas do mundo profano e atingirá a
clarividência dos Iniciados verdadeiros. Estes se distinguem pela
penetração de espírito e pela capacidade de compreensão que possuem.
Grandes sábios e célebres filósofos tem permanecido profanos, por
não terem compreendido o que obscuros pensadores conseguiram discernir
por si mesmos, à força de refletirem e meditarem, no silêncio e no
recolhimento. Para ser um verdadeiro Iniciado, pode-se ler pouco,
mas pensar muito, meditar sempre e, principalmente,não ter receio
de sonhar.
20. Tudo, no mundo, parece, com exceção do sol, da inteligência e
do amor, de que o Grande Arquiteto do Universo se fez o santuário,
onde desmoronam os lances infernais do gênio do mal, que tende a secar
as fontes da felicidade humana. A Maçonaria nasceu e fortificou-se
para enfrentar, destemidamente a todos os males que enfraquecem o
ser humano. Ao ser recebido no Grau de Mestre, o Iniciado terá a plena
certeza de que é digno de partilhar dos trabalhos constantes dos Maçons,
na guerra, em que, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, empenham
todos os seus esforços e todo o seu amor em prol da humanidade. Sua
responsabilidade estará aumentada; se a Ordem lhe assegura, por toda
parte passagem e proteção, ela espera, também, o seu esforço contínuo,
o seu trabalho ininterrupto, em favor da libertação das inteligências
oprimidas, e a sua coragem, a toda prova, quando precisar se arriscar
para salvar os seus Irmãos. O Mestre deve irradiar, por toda a parte
a luz que recebeu; deve procurar, na sociedade profana, os corações
bem formados, as inteligências livres, os espíritos elevados, que
fugindo dos preconceitos e da vida fácil, buscam uma vida nova e podem
se tornar elementos úteis e poderosos para a difusão dos princípios
maçônicos; deve aprender a dominar-se e fugir de todo sectarismo.
Sendo amigo sa Sabedoria, deve guardar sempre, o equilíbrio mental,
que caracteriza o ser são de espírito. Não se constrói um edifício,
apoiando-o sobre uma única coluna; assim, o Mestre deve saber, no
seu trabalho de construção moral e intelectual, equilibrar, sempre,
os ensinamentos da razão com os sentimentos do coração. Deve recordar
que a Maçonaria vai sempre, em auxílio dos desgraçados, quaisquer
que sejam suas opiniões; que, em sua ação social, ela liberta as consciências
e reaviva a coragem daqueles que nada mais esperam. Deve saber, enfim,
o Mestre, que, se como um novo Hiram Abi, ele estiver a ponto de receber
um golpe fatal, vibrado por inconscientes e revoltados, todos os seus
Irmãos saberão defendê-lo e que, se sucumbir gloriosamente, no cumprimento
do dever, todos os Mestres dedicados procurarão, mais tarde, os vestígios
de suas obras, porquanto o ramo de acácia servirá para que reconheçam
os esforços que ele fez, em benefício do desenvolvimento da Sublime
Ordem.
21. Os instrumentos necessários à complementação do trabalho simbólico
dos Maçons são: o Cordel, o Lápis e o Compasso. Nas construções, o
cordel serve para marcar todos os ângulos do edifício, fazendo-os
iguais e retos, para que os alicerces possam suportar a estrutura;
com lápis, o arquiteto traça os diversos planos para a construção
e orienta os operários; o compasso serve para determinar, com precisão,
os limites e as proporções das diversas partes da construção. Já na
Maçonaria, que é simbólica e não mais de ofício (ou operativa), esses
utensílios são aplicados por analogia, aos preceitos da moral difundida
pela Ordem. Dessa maneira, o cordel indica a linha de conduta do Mestre,
sem falhas e baseada nas verdades contidas no Livro da Lei; o lápis
adverte-o que seus atos, palavras e pensamentos são observados pelo
Grande Arquiteto do Universo, a quem ele deve prestar contas de seu
procedimento na vida; o compasso, por fim, lembra a justiça de Deus,
imparcial e infalível, mostrando que é necessário distinguir o Bem
do mal, a justiça da iniqüidade, para que o Mestre fique em condições
de apreciar e medir, com justo valor, todos os atos que tiver que
praticar.
22. A união do Esquadro e do Compasso forma a insígnia do Mestre.
O Esquadro regula o trabalho do Maçom, que deve agir com retidão,
inspirado na eqüidade; o compasso dirige essa atividade esclarecendo-a,
para que produza a mais judiciosa e fecunda aplicação. O compasso,
todavia, é que é o utensílio dos Mestres, pois só eles sabem manejá-lo
com precisão, medindo todas as coisas, levando, porém, em consideração
a sua relatividade. A razão do Mestre, fixa como a cabeça do compasso,
julga os acontecimentos de acordo com as causas ocasionais; o seu
julgamento inspira-se não nas rígidas graduações da Régua, mas num
discernimento, baseado na adaptação rigorosa da lógica à realidade.
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Por que 1804 ?
O nome Rito Escocês Antigo e Aceito foi anunciado para o mundo
maçônico após a criação do primeiro
Supremo Conselho em Charleston, Estados Unidos, em 31 de maio de 1801.
Em 4 de dezembro de 1802, uma circular levou ao conhecimento dos maçons,
principalmente europeus, a criação do Conselho-Mãe
em Charleston, na Carolina do Sul, denominado Supremo Conselho dos
Soberanos Grandes Inspetores Gerais, 33º e último Grau
do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Antes de 1801, fora fundado pelo Conde de Grasse-Tilly, um Supremo
Conselho nas Índias Ocidentais Francesas, com 33 graus. Entretanto,
esse Supremo Conselho foi ignorado e abafado pelo Supremo Conselho
norte-americano, que conseguiu fazer-se constar como o Supremo Conselho-Mãe
do Mundo.
Nos três primeiros anos de vida do Supremo Conselho norte americano,
o Rito Escocês Antigo e Aceito permaneceu sem ritual próprio.
Os Altos Graus funcionaram com os Graus de Perfeição
do Rito de Heredom, acrescentados dos oito novos graus que totalizavam
os 33. Os novos graus não eram Iniciáticos e ganharam
conteúdo mais administrativo que litúrgico. Os Graus
Simbólicos, na época conhecidos como Maçonaria
Azul, foram os da ritualística norte americana.
O segundo Supremo Conselho criado foi o de France, em 1804, quando
também foi confeccionado o primeiro ritual dos graus simbólicos
do Rito, o “Guide des Maçons Écossais”.
Foi idealizado pelos maçons franceses, apelidados de “escoceses”,
que fundaram nesse mesmo ano, 1804, uma nova Obediência Maçônica
em Paris: a “Grande Loja Geral Escocesa”, mais uma Loja-Mãe
do Rito Antigo Aceito, um modelo ritualístico recebido dos
maçons integrantes da Grande Loja dos “Antigos”
de Londres. A Grande Loja Geral Escocesa de Paris uniu particularidades
do Rito Antigo Aceito, de origem operativa, praticado na Escócia,
com a natureza hebraica do Rito de Perfeição e organizou
um ritual para os graus ditos simbólicos do Rito Escocês
Antigo e Aceito.
Lojas-Mãe Escocesas na França
Assim como no presente se associa naturalmente Supremo Conselho com
Rito Escocês Antigo e Aceito, pode-se considerar a mesma associação
no passado entre maçonaria azul e as Lojas-Mãe Escocesas.
Na França, a primeira Loja-Mãe Escocesa foi a de Marselha,
criada em 1751, coincidindo com a fundação da segunda
Grande Loja em Londres, que se declarou dos “Antigos Maçons”.
A segunda Loja-Mãe na França foi a de Avinhão
e a terceira, a Grande Loja Geral Escocesa, já referida, criada
em Paris, em 1804, para organizar o ritual que serviu para os três
graus básicos dos 33 da vertente latina do Rito Escocês
Antigo e Aceito.
Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu sem graus simbólicos
próprios
O Supremo Conselho fundado em 1801, nos Estados Unidos, veio para
organizar a maçonaria praticada nos chamados Altos Graus, entre
os quais estavam os do Rito de Heredom, criado a partir de 1758 e
usado como referência para a criação do Rito Escocês
Antigo e Aceito. O novo Rito se constituiu literalmente de 33 graus.
Na prática, dos 33 graus, o Supremo Conselho de Charleston
interessou-se em comandar do 4 ao 33, não se envolvendo com
os três primeiros para evitar conflito com a maçonaria
norte americana das Lojas Azuis. Desistiu de qualquer tipo de ingerência
nos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre do Rito Escocês
Antigo e Aceito. E com essa mesma concepção, o Rito
chegou na França, em 1804, através do Supremo Conselho
fundado em Paris, dentro do Grande Oriente de France, que tinha o
Rito Moderno, ou Francês, como oficial. Inicialmente, o Supremo
Conselho de France manteve o mesmo modelo de seu precursor americano:
deixou os graus simbólicos para a Grande Loja Geral Escocesa,
criada também em 1804, para organizar os graus simbólicos
do Rito Escocês Antigo e Aceito, que funcionou, ao exemplo do
Supremo Conselho, dentro do Grande Oriente de France. A partir de
1816, com o desaparecimento da Grande Loja Geral Escocesa, o Grande
Oriente assumiu as atribuições do simbolismo escocês
antigo na França e, ao faze-lo, diminuiu a autoridade do Supremo
Conselho sobre o número de graus, criando, sob sua jurisdição,
as Lojas Capitulares, que trabalham dos graus 1º ao 18º
do Rito Escocês Antigo e Aceito. Nessa ocasião, lançou
um novo ritual para as Lojas Capitulares, em 1820, implantando diversas
alterações no ritual de 1804.
O ritual de 1804, em linhas gerais, reproduz os procedimentos praticados
pelos maçons da Grande Loja dos “antigos” de Londres.
Algumas diferenças foram inevitáveis para conciliarem
a ritualística da maçonaria azul dos “antigos”
com o simbolismo fundamental dos Altos Graus. Por isso, o Primeiro
Vigilante foi deslocado do centro do Ocidente, em frente ao Venerável
Mestre, para junto da Coluna do Norte e o Segundo Vigilante trazido
do meio da Coluna do Sul para a ponta da mesma Coluna, ambos lado
a lado no Ocidente. A nova distribuição das Luzes no
Templo compatibilizou-as com a encontrada nos graus acima do 3, os
Graus de Perfeição recolhidos do Rito de Heredom.
As duas vertentes de influência no Rito
A idéia de um rito maçônico originário
do movimento de criação dos Supremos Conselhos a partir
dos Estados Unidos da América, que ganhou o nome de Rito Escocês
Antigo e Aceito, se apoiou na certeza de que o importante no arcabouço
do Rito seriam os Altos Graus. A maçonaria azul teria o papel
apenas de base do edifício, servindo de arregimentadora de
pretendentes. O primeiro Supremo Conselho concebeu o Rito com 33 graus,
mas deu aos três primeiros importância mínima,
não lhes revestindo da roupagem própria do escocesismo.
Aproveitou o que já existia no país e sobre eles montou
a estrutura principal do 4º ao 33º. Presentemente, considera-se
que essa foi a vertente anglo-saxã do Rito Escocês Antigo
e Aceito, que permanece sem rituais próprios para Aprendiz,
Companheiro e Mestre. Nos Estados Unidos o Rito existe do grau 4º
para cima. Não há Loja especializada em trabalhos simbólicos
do Rito Escocês Antigo e Aceito.
A existência de duas influências ritualístico-institucionais
foi materializada após a chegada do Rito na França.
Até 1813, as Lojas-Mãe Escocesas lideraram a maçonaria
azul na França e mantiveram a ritualística sem alterações.
A fusão das duas Grandes Lojas inglesas, a dos “modernos”
e a dos “antigos”, na atual Grande Loja Unida da Inglaterra,
enfraqueceu a posição das Obediências que preservavam
a ritualística dos “antigos”, como foi o caso das
Lojas-Mãe Escocesas, que desapareceram nos anos seguintes.
Quando o Grande Oriente de France assumiu os Graus Simbólicos
do Rito Escocês Antigo e Aceito e criou as Lojas Capitulares,
estabeleceu um segundo modelo de funcionamento e jurisdição
para o Rito. Os Altos Graus se constituíram do 19º ao
33º sob a hegemonia do Supremo Conselho e os graus abaixo desses
ficaram sob a autoridade do Grande Oriente. As divergências
entre o Supremo Conselho de France, de um lado, e os Supremos Conselhos
dos Estados Unidos e da Inglaterra, de outro, dividiram o Rito Escocês
Antigo e Aceito em duas vertentes; uma ortodoxa, a anglo-saxônica,
e uma heterodoxa, latina ou francesa. Foram alterados alguns procedimentos
ritualísticos, símbolos e até a concepção
interna do Templo. Uma das principais modificações foi
a implantação de um desnível que passou a caracterizar
o Oriente como uma região geográfica delimitada e não
mais constituída apenas pelo Venerável Mestre. A cor
igualmente foi trocada. O azul da maçonaria azul cedeu lugar
para o vermelho do Grau Rosa-Cruz, o mais elevado da Loja Capitular,
e os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre passaram a fazer parte
de uma denominação nova; o simbolismo, que recebeu o
vermelho. O simbolismo substituiu a maçonaria azul. Assim se
formou a vertente latina do Rito Escocês Antigo e Aceito. Mais
tarde, os Supremos Conselhos do mundo inteiro reivindicaram o retorno
para o sistema inicial, ou seja, com poderes sobre o conjunto de graus
a partir do 4º e se estendendo até o 33º, ocasionando
o desmantelamento das Lojas Capitulares. No entanto, as cores permaneceram
as duas, dependendo da vertente e a ritualística também,
pois o simbolismo da vertente latina é diferente da vertente
anglo-saxã.
AILTON PINTO DE TRINDADE BRANCO
Presidente da Oficina de Restauração do REAA
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dela Masonería. Kier S/A, Buenos Aires, Argentina, 1962.
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LANTOINE, Albert. Histoire de la Franc-Maçonnerie Française.
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PROBER, Kurt. História do Supremo Conselho do Grau 33º
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STEVENSON, David. As Origens da Maçonaria – O Século
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Fonte:
Oficina de Restauração do REAA
http://www.oficina-reaa.org.br/

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