O MESTRE INSTALADO

I – PREÂMBULO


De acordo com o Art. 29 do Regulamento Geral da Federação (RGF) do Grande Oriente do Brasil (GOB), o Mestre Maçom que passar pelo Cerimonial de Instalação denominar-se-á “Mestre Instalado”. Para receber esta condição, passando pelo cerimonial de consagração, é necessário que o Mestre Maçom tenha sido eleito Grão-Mestre Geral, Grão-Mestre Geral Adjunto, Grão-Mestre Estadual ou do Distrito Federal, Grão-Mestre Estadual ou do Distrito Federal Adjunto ou Venerável de Loja.


O cerimonial de consagração, ou seja, a cerimônia de Instalação de um Mestre Maçom, processa-se na presença do Conselho de Mestres Instalados, de acordo com ritual próprio (Cerimônia de Instalação de Venerável). O texto foi compilado sob a coordenação do respeitável Irmão Nicola Aslan, a partir de incumbência dada pelo então Grão-Mestre Geral do GOB, Irmão Moacyr Arbex Dinamarco.


O Conselho de Mestres Instalados é constituído de três ou mais Mestres Instalados, nomeados conforme a jurisdição da Loja, pelo GrãoMestre Geral ou Grão-Mestre Estadual ou do Distrito Federal.


O Presidente Instalador, denominado conforme o ritual de Mestre Instalador, deve comunicar à Grande Secretaria-Geral da Guarda dos Selos, por intermédio do Grande Oriente Estadual ou do Distrito Federal, a realização da cerimônia. Deve constar da ata da Sessão o nome ou nomes dos novos Mestres Instalados, para efeito de registro e expedição de Diploma, Medalha e Ritual por parte do Grande Oriente do Brasil.


Este trabalho cingir-se-á ao Mestre Instalado que exerce o cargo de Venerável Mestre de uma Loja da Federação Gobiana. Em outras palavras, limita-se ao Mestre Maçom que após ser eleito para presidir uma Loja do GOB, passou pelo cerimonial de Instalação e tomou posse como Venerável
Mestre para presidir a Loja durante o período para o qual foi eleito.


II – INTRODUÇÃO


O Venerável da Loja é escolhido, por intermédio de processo eleitoral entre os Mestres Maçons regulares e ativos (com no mínimo 50% de presença às Sessões Ordinárias nos vinte e quatro meses que antecedem a eleição e em dia com obrigações pecuniárias), atendidos os requisitos da Constituição do Grande Oriente do Brasil, do RGF (na condição de Lei2 Complementar à Constituição) e, suplementarmente, pela legislação eleitoral
maçônica do GOB.


O Venerável representa, ativa e passivamente a Loja, perante a Maçonaria e o denominado “mundo profano”. Juntamente com os Primeiro e Segundo Vigilantes, compõe as Luzes da Loja.


Não é demais lembrar que as Luzes e os demais membros detentores de cargos eletivos constituem as Dignidades da Loja, de acordo com seu rito.

Estas constituem seu Poder Executivo, com exceção do Orador, que é membro do Ministério Público.


A passagem do Venerável Mestre eleito pelo cerimonial de Instalação e Posse é de grande relevância, pois, ainda de acordo com o RGF (art. 29, § 2º), somente Mestre Instalado pode dirigir Sessões de Iniciação, Elevação ou Exaltação, pois a sagração1 de Maçons nessas cerimônias deve ser feita por um Mestre Instalado. Na falta ou impedimento do Venerável, são os seus substitutos, nesta ordem, os 1º e 2º Vigilantes, os Ex-Veneráveis, os Grandes Beneméritos e os Beneméritos da Ordem, se membros da Loja, e o Decano dos membros presentes.


É de bem salientar que na ausência do Venerável Mestre, se houver uma Sessão de Iniciação, de Elevação ou de Exaltação e o 1º e 2º Vigilante não forem Mestres Instalados, eles não poderão presidir a Sessão.


Caberá então a presidência aos Ex-Veneráveis (do mais recente ao mais antigo, presentes) e na ausência destes, a um dos Irmãos citados no parágrafo anterior, naquela ordem, desde que seja um Mestre Instalado.


Para encerramento desta introdução, é oportuno reavivar que a importância do Venerável Mestre é de tal monta que ele só vota nos escrutínios secretos. É-lhe reservado o voto de qualidade, no caso de empate nas votações nominais para poder exercer com imparcialidade a administração da Loja.


III – DESENVOLVIMENTO
III. 1 – Etimologia do Termo

O termo “Venerável” é bem primitivo. Nos tempos medievais, era forma cortês de se dirigir a uma pessoa com certa importância, principalmente se se tratasse de alguém considerado sábio.


Em épocas mais remotas, por volta do século XV, a palavra “Venerável” era utilizada também para louvar o mérito de amigos e parentes.


1 Sagrar, aí, tem o sentido de conferir a dignidade do grau e não o de santificar, ou tornar sagrado, como muitos pensam.3 Existe registro do uso do termo “Venerável”, no século XVI, com referência ao Comandante de navio. Aproximadamente na mesma época, consta sua utilização por companhias londrinas como razão social.


Dessa forma, em razão de sua antiguidade, é lícito supor que a Maçonaria Especulativa tenha herdado o termo das confrarias de pedreiros.


Modernamente, “Venerável” é empregado no sentido de venerando e honorável, tal como um magistrado.


III. 2 – A expressão “Venerável Mestre” na Maçonaria A expressão “Venerável Mestre”, atribuída ao presidente de uma Loja Maçônica, é utilizada para reverenciar a mais alta dignidade da Loja Simbólica, significando que todos os obreiros da Loja devem “venerar” o Mestre da Loja.


Segundo Castellani, na obra Manual do Mestre Instalado, “o título de Venerável Mestre, dado ao presidente de uma Loja maçônica, tem a sua origem mais remota nos meados do século XVII, quando já começara a lenta, mas progressiva, transformação da Franco-maçonaria de ofício, ou operativa, em Franco-maçonaria dos aceitos, ou especulativa2. Nessa época, porém, nem existia o grau de Mestre Maçom, que só seria introduzido no século XVIII, a partir de 1724, e efetivado em 1738, e o presidente da Loja era escolhido entre os mais antigos e experientes companheiros – que era um mestre-de-obras – ou era o proprietário mesmo, o qual, como dono da obra, era vitalício na direção dos trabalhos dos obreiros”.


Ainda, segundo Castellani, a expressão deriva da palavra inglesa worship, que significa culto, adoração, reverência (como forma de tratamento) quando usada como substantivo, e venerar, adorar, idolatrar, quando usada como verbo transitivo; neste caso, tem-se o vocábulo worshipful, que significa adorador, reverente, venerável, como forma de tratamento.


Assim, o presidente de uma Loja Simbólica passou a ter o título de Worshipful Master, que significa Venerável Mestre e que seria adotado por todos os círculos maçônicos.


Como dito, o Venerável eleito somente passa a ser de fato o Venerável Mestre da Loja depois de passar pelo Cerimonial de Instalação e ser empossado no Trono de Salomão.


2 Essa progressiva transformação iniciou-se no século XVII, quando, com a decadência do estilo gótico e a concomitante ascensão do renascentista, as organizações de oficio começaram também a entrar em declínio. E, para tentar sobreviver, resolveram aceitar, em suas lojas, homens não ligados à arte de construir e que, por isso, foram chamados de maçons aceitos. O processo de aceitação desenvolveu-se durante todo o século XVII, a ponto de, no final dele, o número de aceitos sobrepujar largamente o de operativos, o que propiciaria, em 1717, a criação da primeira obediência maçônica da História, a Premier Grand Lodge, em Londres.4

III. 3 – A Jóia do Mestre Instalado no Rito Escocês Antigo e Aceito No Brasil, existem duas jóias diferentes para o Mestre Instalado, quais sejam:


1ª) o Esquadro sob o Compasso, num arco de Círculo de 45º, tendo, no centro, o Sol e o Olho (esquerdo); e 2ª) a representação gráfica da 47ª Proposição de Euclides, conhecida como o famoso Teorema de Pitágoras – em um triângulo retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.


Esta segunda representação gráfica deveria ser utilizada nos Ritos de Schroeder e de York.


Em regra, qualquer uma das jóias é apanágio do Mestre Instalado que deixou o exercício do veneralato (que no rito de York é chamado de “Past Master Imediato”), tendo em vista que a jóia do Venerável Mestre é um esquadro de ramos desiguais3, com a abertura voltada para baixo.


Qual é o simbolismo das jóias do Mestre Instalado?
O esquadro é o símbolo da retidão. Como jóia distintiva do cargo de Venerável Mestre indica que ele deve ser o maçom mais reto e mais justo da Loja que preside. Oswald Wirth afirma que o esquadro formado pela reunião da perpendicular e da horizontal simboliza o equilíbrio resultante da
união do ativo com o passivo.4 O compasso significa comedimento nas buscas, pois representa esotericamente o espírito, enquanto que o esquadro simboliza a matéria. Há também interpretação cósmica, pela qual o compasso representaria o Sol, e o esquadro, a Terra. Por isso, nos ritos teístas, o esquadro sobre o compasso, no primeiro grau, significa que o Aprendiz tem a parte material suplantando a espiritual. À medida que progride, espiritualmente, o obreiro vai crescendo até chegar ao grau 3, quando, então há (ou deveria haver) o triunfo do espírito sobre a matéria.


Castellani apresenta, na obra Consultório Maçônico5, outra interpretação: as hastes do compasso presas sob o esquadro representam, 3 Conforme José Castellani, no Consultório Maçônico – Cadernos de Estudos Maçônicos vol. nº 2, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., pg. 113. Assis Carvalho (Xico Trolha) na obra Cargos em Loja – Cadernos de Estudos Maçônicos vol. nº 1, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., pg. 23 diz que “o ESQUADRO é formado pela junção da Horizontal com a Vertical formando um ângulo de 90º… Embora muitos desenhos modernos mostrem o ESQUADRO com hastes desiguais, criando inclusive ilações de que forma se deve pegar o Esquadro…. Tudo são situações criadas com os desenhos de alguns painéis. Pois é sabido que o Esquadro primitivo, o Esquadro símbolo da Maçonaria, sempre foi de hastes iguais. Estão aí os desenhos de Harris para indicar. Na igualdade das hastes, está implicitamente estabelecida a tão falada igualdade dos Maçons em Loja, com absoluto e profundo desprezo às condições que ostentam no mundo profano”.


4 Assis Carvalho. Ob. citada. Pg. 24.
5 Castellani, José. Ob. citada. Pg. 114.5 no Grau 1, a mente ainda subjugada pelos preconceitos e convenções sociais, sem a necessária liberdade para pesquisar e procurar a verdade; no Grau 2, com uma das hastes do compasso liberada, o Maçom passa a ter certa liberdade de raciocínio e está no caminho da verdade; o Mestre deve ser totalmente livre para se dedicar ao trabalho da construção do templo espiritual da humanidade. Daí a razão da jóia do Mestre Instalado apresentar estes dois instrumentos.


O Sol é o símbolo da Luz e representa na Maçonaria o conhecimento emanado do Grande Arquiteto do Universo. Assim, a Grande Obra ou a Obra do Sol representa o constante renascer para que o Iniciado percorra o caminho do aperfeiçoamento e do conhecimento, até chegar à comunhão com a Divindade. Portanto, o Sol, na jóia do Mestre Instalado, simboliza a Luz de que ele deve ser portador, e significa a vitória sobre as paixões humanas e os vícios.


O Olho para alguns maçonólogos seria o Olho Onividente, que representa, por conseqüência, a Divindade, norteadora dos passos dos Iniciados. Este conceito é baseado nos mitos solares e religiosos da antigüidade6. Assim, pode-se inferir que o olho representa a Luz, símbolo da sabedoria, do discernimento e do equilíbrio. O Mestre Instalado, ou seja, o Venerável Mestre, enquanto preside a Sessão deve espargir esta Luz para todos, presentes e ausentes.


O Arco de Círculo mostra a abertura do compasso na oitava parte do círculo todo, ou seja, a 45º. Esta limitação da abertura significa que a sabedoria deve ser utilizada com comedimento, pois o poder que está revestido o Mestre Instalado, se utilizado sem limites pode converter em opressão e tirania. O arco de 45º simboliza, nos ritos teístas, a limitação do conhecimento humano, diante do conhecimento cósmico da Divindade (os 360 graus do círculo).


Em síntese, a Jóia do Mestre Instalado simboliza que ele deve ser livre das paixões mundanas para levar a Luz aos obreiros da Loja por meio de sua Sabedoria, usada com descortino e equilíbrio.


III. 4 – O Avental do Mestre Instalado


O Avental do Mestre Instalado (ou do Venerável Mestre) no rito Escocês Antigo e Aceito tem as rosetas do avental de Mestre Maçom substituídas por taus invertidos, que devem ser de metal niquelado ou prateado.


Segundo Nicola Aslan (apud Assis Carvalho)7, “a primeira referência histórica que se tem sobre o uso dos Taus Invertidos, que os ingleses chamam de Níveis, é um mandamento da Grande Loja da Inglaterra 6 Para os Persas, o olho era a representação de Ormuz, o Sol, e, portanto, da Luz.


7 Assis Carvalho. Ob. citada. Pg. 25.6 datado de 1814, em que se descreve de que maneira deviam ser colocados os Níveis sobre o Avental”.


Os taus invertidos simbolizam a ligação estabelecida entre o mundo da matéria e o invisível. Representam o trabalho criador que o Venerável Mestre deve realizar na Oficina para justificar a investidura no cargo e a existência da Loja, pois o titular do primeiro malhete deve se tornar o instrumento que faz a ligação entre todos os elementos que constituem a Loja que preside. Assim, ele deve guiar os obreiros com a Luz de sua Sabedoria para propiciar o desenvolvimento espiritual, de cada um, pelo estudo e pelo domínio das paixões, com vistas à Fraternidade Universal.


Deve-se salientar que somente um Mestre Instalado pode usar o avental correspondente. Desse modo, se o 1º Vigilante não preencher esta condição, ou seja, se não for Mestre Instalado, quando estiver no trono de Salomão, substituindo o Venerável Mestre em suas ausências, não deve usar o avental de Mestre Instalado. Contudo, usará o colar de Venerável Mestre, porque estará como Venerável Mestre “ad-hoc”, na sessão que estiver presidindo.


III. 5 – O Malhete


Na Maçonaria, o malhete, utilizado pelas três Luzes da Loja (Venerável e Vigilantes), “é o símbolo da vontade ativa, da energia posta a serviço da inteligência esclarecida pelo coração”. É dessa forma que o malhete deve ser manejado, principalmente pelo Venerável Mestre: com firmeza e segurança, mas com moderação, sem estardalhaço, para assim demonstrar equilíbrio, serenidade e responsabilidade. Pelo som dos malhetes, pode-se avaliar o grau de comprometimento com a Ordem daqueles que o manejam.


O malhete é um pequeno malho e não pode ser confundido com o maço, que é instrumento de madeira rija, com o formato de paralelepípedo, com cabo bem no meio, utilizado para desbastar a pedra bruta.

Malho é grande martelo de madeira (ou de ferro). Essa palavra é originária do latim: malleu. Segundo Castellani8, o malhete é confeccionado em madeira e pode ser feito também de outros materiais, como marfim ou metal. Castellani ressalta que em muitas Lojas dos Estados Unidos é comum
o uso de malhetes de prata em sessões magnas e nas grandes festividades da Ordem. Assis Carvalho9 diz que não ser incomum, em certas circunstâncias, malhetes de marfim serem oferecidos aos Veneráveis, pois esse material também simboliza a pureza.


8 José Castellani. Consultório Maçônico II – Cadernos de Estudos Maçônicos vol. nº 7, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 1989. Pgs. 127 e 128.


9 Assis Carvalho. Ob. citada. Pg. 35.7
Jules Boucher, citando o padre Corblet, diz que antigamente o malhete era feito de buxo, madeira de grande dureza, porque esta é o símbolo da firmeza e da perseverança.


O malhete é também a figura do tau e por isso é, desde priscas eras, símbolo sagrado universal. O tau (malhete) é apresentado sob a figura da letra grega “T”.


III. 6 – A Espada Flamejante


A espada flamejante representa a força, o poderio e a inspiração divina. Sua forma serpentina a relaciona com a sabedoria tradicionalmente associada à serpente (as duas serpentes entrelaçadas do caduceu), assim como à serpente de bronze (nejushtán), que aparece em um alto grau do rito Escocês Antigo e Aceito, e que, simbolicamente, serve de veículo para a força purificadora da essência divina.


Muitas vezes é encontrado o termo espada flamígera. Há autores que não consideram este termo sob a alegação de que ele seria um “neologismo criado por inimigos dos galicismos que enxamearam nosso rico quão formoso idioma nos fins do século XIX e, sobretudo, na primeira metade do século XX”.10 “Flamejante” deriva do vocábulo latino flamantis. Raimundo Rodrigues11, mesmo preferindo esse termo, diz que “flamígero” não é
neologismo, pois deriva de flammiger, também do latim.


A espada flamejante é utilizada na consagração de Irmãos, sendo um dos objetos mais simbólicos e sagrados na Maçonaria. Por ser a jóia transformadora e Iniciática, é o símbolo do poder da razão. Isto porque só pode ser empunhada por Venerável Mestre ou por Mestre Instalado quando
estiver procedendo a Iniciação, Elevação ou Exaltação, nos Graus da Maçonaria Simbólica.


A espada flamejante não pode ser embainhada nem tocada por Maçom que não seja Mestre Instalado. Daí, sempre que possível, o cargo de Porta-Espada deve ser ocupado por Mestre Instalado. O trabalho do PortaEspada consiste em apresentar o estojo com a espada ao Venerável Mestre, no momento da consagração.


Após seu uso, a espada é novamente colocada no estojo e guardada. Não tendo nexo o errado hábito de algumas Lojas de colocar a Espada sobre o Altar dos Juramentos, pois ela poderá ser manuseada, indevidamente, por outros membros do quadro que não o Venerável.


10 Raimundo Rodrigues. Entre Colunas. Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 1ª Edição. 2006. Pg. 125.


11 Obra citada. Pg. 126.8


III.7 – Deveres e Direitos do Mestre Instalado


Um Mestre Instalado, esteja no exercício do Veneralato, ou seja, ex-Venerável, é antes de tudo obreiro e como tal tem, no âmbito do Grande Oriente do Brasil, seus direitos e deveres elencados nos arts. 29 e 30 da atual Constituição do GOB. Tornar-se-ia maçante ficar repetindo-os no corpo deste trabalho, mas vale alertar o Venerável Mestre para ter sempre em mente (e em mãos) aqueles direitos e deveres, pois ele representa o exemplo para
todos os obreiros da Loja que está a presidir.


As obrigações e de certa forma os direitos do Mestre Instalado estão nos arts. 29 a 31 do Regulamento Geral da Federação (RGF), do GOB, e foram abordados, ainda que sinteticamente, no preâmbulo deste trabalho.


A seção I do capítulo X do RGF traz a forma de seleção, atribuições e a quem compete substituir o Venerável Mestre em suas ausências ou impedimentos.


O art. 90 daquele diploma legal traz as competências privativas do Venerável Mestre e entre elas destacamos as consideradas mais relevantes, quais sejam:

  • presidir os trabalhos da Loja, encaminhando o expediente, mantendo a
    ordem e não influindo nas discussões;
  • representar a Loja ativa e passivamente, em juízo e fora dele, podendo,
    para tanto, contratar procuradores;
  • exercer fiscalização e supervisão sobre todas as atividades da Loja,
    podendo avocar e examinar quaisquer livros e documentos para consulta, em
    qualquer ocasião;
  • conferir os graus simbólicos, depois de deliberação da Loja e satisfeito o
    seu tesouro;
  • proceder à apuração dos votos, proclamando os resultados das
    deliberações;
  • deixar sob malhete, quando julgar conveniente, pelo prazo de até trinta
    dias, os expedientes recebidos pela Loja, exceto os originários do Grande
    Oriente do Brasil, estadual ou do Distrito Federal;
  • conceder a palavra aos obreiros ou retirá-la, segundo o rito adotado;
  • decidir questões de ordem que forem suscitadas, ouvindo o Orador,
    quando julgar necessário;
  • suspender os trabalhos sem as formalidades do Ritual quando não lhe
    seja possível manter a ordem, não podendo os trabalhos assim suspensos ser
    continuados na mesma data;
  • distribuir, sigilosamente, as sindicâncias a Mestres Maçons de sua Loja;
  • exercer autoridade disciplinar sobre todos os Maçons presentes às
    sessões;
  • assinar, juntamente com o Tesoureiro, os documentos e papéis
    relacionados com a administração financeira, contábil, econômica e
    patrimonial da Loja;
  • autorizar despesas de caráter urgente, não consignadas no orçamento,
    “ad referendum” da Loja, até o limite estabelecido em seu Estatuto ou
    Regimento Interno;9
  • apresentar, até 31 de março de cada ano, o Quadro de Obreiros, o
    relatório geral das atividades do ano anterior, acompanhado de inventário
    patrimonial, aprovados pela Loja, remetendo cópia assinada por ele, pelo
    Orador, pelo Secretário e pelo Tesoureiro, à Grande Secretaria-Geral de
    Finanças, bem como recolher as Taxas de Atividade de seus Obreiros.
    Compete, ainda, ao Venerável Mestre velar pela guarda e fiel
    cumprimento da Constituição, do RGF e leis da Obediência; impedir diálogos,
    apartes repetidos, referências pessoais diretas ou indiretas, que possam
    ofender a quem estiver usando da palavra. Para isso usará de moderação,
    prudência e urbanidade em todos os seus atos; deverá atuar com isenção
    quanto às discussões dos assuntos e agir de modo a não provocar ingerência
    na vontade dos obreiros.
    Apesar da forma conciliatória e tolerante de agir, o Venerável
    deve demonstrar firmeza nas atitudes que toma, de forma que todos
    cumpram as obrigações que lhes competem para não serem omissos,
    desleixados ou indiferentes aos trabalhos que se propuseram a desempenhar.
    Por fim, é de bem salientar que o exercício do Veneralato
    apresenta-se ao titular como sacerdócio, pois o Venerável Mestre não deve se
    limitar a exercer o cargo somente no momento em que preside a sessão, mas
    sim por vinte e quatro horas por dia. Isso evidencia que está sendo Venerável
    de corpo e alma trabalhando diuturnamente com constância e firmeza.
    III.8 – O Landmark nº 10
    Landmarks são dispositivos pétreos, considerados regras
    estabelecidas para a regulamentação de certos procedimentos maçônicos,
    muito provavelmente com o intuito de evitar futuras confusões de modo a
    estabelecer um sistema único de funcionamento da Ordem.
    Os landmarks apareceram oficialmente no segundo mandato do
    Irmão George Payne, Grão-Mestre da Grande Loja de Londres (mais tarde,
    Grande Loja Unida da Inglaterra), que ordenou a compilação dos
    Regulamentos Gerais, adotados a partir de 1721 como lei orgânica. A idéia
    primordial dos landmarks foi suprimir fontes de conflitos.
    Albert Galletin Mackey, nascido em Charleston, EUA, e morto em
    1881, aos 74 anos, compilou 25 landmarks, geralmente reconhecidos pelo
    GOB.
    Nem sempre os landmarks são aceitos de forma pacífica, mas
    tem-se um que é considerado como verdadeiro landmark, entre os
    compilados por Mackey que é o de número 10, com a seguinte redação:
    “O Governo da Fraternidade, quando congregado em Loja, por
    um Venerável e dois Vigilantes é um outro Landmark. Qualquer reunião de
    Maçons congregados sob qualquer outra direção, como, por exemplo, um
    presidente e dois vice-presidentes, não seria reconhecida como Loja. A10
    presença de um Venerável e dois Vigilantes é tão essencial para a validade e
    legalidade de uma Loja que, no dia de sua consagração, é considerada como
    uma Carta Constitutiva.”
    Esse landmark traz a exata diferença que existe entre uma Loja
    Maçônica e qualquer outra instituição. Por ele, vemos a obrigatoriedade e a
    importância da presença e do comando do Venerável Mestre em Loja
    Maçônica, pois, este juntamente com os Vigilantes é, sem nenhum exagero,
    autênticos donos do poder, como representantes do Grão-Mestre, sob cuja
    jurisdição a Loja está e a quem deve obediência.
    Governar uma Loja é de tal importância que, para ser Venerável,
    o Mestre Maçom deve ter suficiente conhecimento não só da doutrina e da
    ritualística, como das leis gerais que regulam a Fraternidade.Isto só se
    adquire estudando, pesquisando e aprendendo a decifrar os significados
    filosóficos dos símbolos e alegorias.
    IV – CONCLUSÃO
    O exercício do Veneralato, além de exigir doação constante do
    Venerável Mestre e de toda a administração de uma Loja, requer também
    que se tenha plano diretor para o período em que ela foi eleita; isso porque
    as características únicas de nossa Ordem reclamam planejamento e
    administração ímpares, em conformidade com o seu universalismo e o seu
    ecletismo, aliados à necessidade de administração laica e litúrgica.
    A sobrevivência de nossa Ordem, de acordo com os princípios
    universais que a regem, depende de nossa ação enquanto obreiros, mas,
    sobretudo do preparo e dedicação do Mestre que após a instalação e posse
    exercerá o Veneralato. O futuro está em nossas mãos, haja vista que o
    presente nos foi legado por aqueles que nos antecederam e temos a
    obrigação de legá-lo com crescimento e progresso aos que nos sucederão.
    Assim, um Venerável Mestre deve ser:
  • planejador, pois boa programação incentiva a todos;
  • disciplinado, para exigir o mesmo dos demais obreiros;
  • verdadeiro e sempre dizer a verdade, atuar com equidade e pensar
    com retidão;
  • participativo, para envolver os demais obreiros;
  • tolerante, pois como ser humano também cometerá erros;
  • comedido nos elogios, para não os vulgarizar, mas, mais comedido
    ainda nas críticas;
  • pontual, em todos os sentidos;
  • imparcial, de modo a combater as injustiças, ostensivas ou
    disfarçadas;
  • presente na Loja e nas sessões das co-irmãs;
  • verdadeiro irmão dos obreiros da Oficina, e quando necessário e
    oportuno se fazer presente nos seus lares;11
  • humilde para receber críticas e receptivo quanto às necessidades dos
    irmãos, cunhadas e sobrinhos;
  • acima de tudo Maçom exemplar, consciente de que é espelho e
    assim muitos irmãos vão nele se mirar.
    Resumindo, o Venerável Mestre deve ser bondoso, generoso,
    polido, enérgico, exigente, disciplinador, idealista, patriota, autêntico, franco,
    justo, leal, sério, honesto, humilde e sincero. Se o Venerável não possuir
    todos esses dotes, o que é muito provável, não poderá desconhecê-los.
    Essas qualidades e princípios morais são o que torna um Maçom,
    em geral, e um Venerável, em particular, dedicado a ponto de sacrificar suas
    horas de lazer, o aconchego do lar, o carinho da esposa, a ternura dos filhos
    para trabalhar pela sua Loja, por seus irmãos, enfim, pela Maçonaria. Isso
    não é apenas abstração filosófica, mas objetivo, meta que necessita de ação
    e dinamismo e que pode, de fato, alterar o rumo da Maçonaria resgatando os
    princípios iniciáticos que a diferenciam de outras organizações.
    Para concluir, transcrevemos soneto da lavra do Irmão
    Aestabanez Stael, do Rio de Janeiro, em homenagem ao então Grão-Mestre
    Waldemar Zweiter.
    O Venerável Mestre
    Se a espada de um Irmão erguer seu fio
    Contra o fio da espada de outro Irmão…
    Se casa, contra casa, em desafio…
    Levantar-se por vezo ou por paixão…
    Um Mestre há de impedir que tal desvio
    Vença o prumo sutil da construção,
    E o calmará quando em desvio
    Sob o fio da Espada da Razão.
    O Venerável Mestre, todavia,
    Transcenderá a vã sabedoria
    E arrancará seu próprio coração.
    Como num brinde anímico à concórdia,
    Filha do amor e da misericórdia,
    Gerada à luz suprema do perdão.
    Oriente de Brasília (DF), 15 de outubro de 2008 da E∴V∴.
    Marcos A. P. Noronha
    V∴M∴da Loja Universitária Ordem, Luz e Amor nº 3848
    Ex- V∴M∴da Loja Águia do Planalto nº 1767 (biênios 1999-2001 e 2001-2003)
    Atual Pres. da Comissão de Graus da Loja Águia do Planalto
    Nos Altos Corpos do REAA é o atual Sábio Mestre do Conselho Filosófico de Kadosh nº 2212
    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
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    CASTELLANI, José. Consultório Maçônico II. Cadernos de Estudos
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    NORONHA, Marcos A. P.. Apostila do Encontro de Veneráveis –
    Encontros Regionais de Administração de Loja promovido pelo GODF
    em maio de 2001. O curso foi ministrado pelo compilador da Apostila,
    juntamente com os Irmãos Elias V. Almado, Wagner Lima e João F.
    Guimarães.
    RODRIGUES, Raimundo. Entre Colunas. 1a. Edição. Londrina. Editora
    Maçônica “A Trolha” Ltda, 2006.

Por: * Marcos A.P. Noronha

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