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Professa uma crença num Ser Supremo?

É uma avaliação justa dizer que, nos tempos modernos, tem havido uma tendência cada vez supremomais popular para a secularização. No Ocidente, particularmente, um êxodo em massa da fé abraâmica e outras religiões monoteístas está em andamento há algum tempo. Por exemplo, uma recente pesquisa da Gallup mostrou que o número de americanos que se identificam como cristãos diminuiu de 80,1% para 75% entre os anos de 2008 e 2015. Actualmente, 21,3% dos americanos declaram não haver filiação religiosa. Tendências sociológicas deste tipo tendem a progredir exponencialmente; ou seja, podemos presumir que esta tendência não só continuará, mas fá-lo-á a uma taxa crescente de velocidade.

Tendo isto em mente, voltamos a nossa atenção para uma certa cláusula nos Landmarks maçónicos; ou seja, que o candidato à Maçonaria deve professar uma crença num Ser Supremo. Como estes Marcos são um pouco maleáveis ​​no nível da Grande Loja de cada jurisdição, concentrar-nos-emos na redacção da questão como proposta ao candidato no estado de Connecticut: “declara solenemente, na presença destas testemunhas, que é um crente firme na existência de um Ser Supremo?” [Ritual Oficial da Grande Loja de Connecticut AF & A.M., 2010] É importante notar que nunca se pergunta ao candidato se ele acredita em Yahweh, Jesus, Allah, Mithras, Buddha, e outros, nem jamais deveria ser assunto de um Maçom questionar o candidato para além de uma resposta afirmativa à questão proposta. Nem o candidato nem o Irmão são solicitados a elucidar ou esclarecer os detalhes da sua filosofia religiosa. De facto, a propósito do costume comum de que a discussão sobre religião ou política é desaprovada em Loja aberta, ele é activamente admoestado a guardar essa informação para si mesmo, preservando assim a harmonia da Loja ao não introduzir um assunto potencialmente divisivo.

A formulação da questão proposta ao candidato é muito concreta – é-lhe perguntado se acredita num Ser Supremo. Antes de prosseguirmos, peço ao leitor que reflita sobre as seguintes entradas do dicionário:

  • su·pre·mo |ê| (latim supremus, -a, -um) adjectivo 1. Superior a tudo. = SUMO; 2. Mais importante. = PRINCIPAL; 3. Que atingiu o limite ou grau mais alto. = EXTREMO, MÁXIMO, SUMO; 4. Último e mais solene. 5. Relativo a Deus. = CELESTE, DIVINO
  • ser |ê| – substantivo masculino, 1. Aquilo que é, que existe. = ENTE; 2. O ente humano; 3. Existência, vida; 4. O organismo, a pessoa física e moral; 5. Forma, figura.

O leitor notará o amplo leque de possíveis interpretações produzidas pela combinação destas duas palavras. Observe também que não há dados aqui que sejam particularmente indicativos de uma entidade criadora transcendental residente num reino etéreo, por exemplo – embora essa seja uma interpretação tão válida como qualquer outra. Certamente não há implicações inerentes que perturbem as sensibilidades da sua era deísta típica do Iluminismo, como as que foram contadas entre os nossos Irmãos durante o desenvolvimento da Arte.

Além disto, uma crença num Ser Supremo – mesmo como um conceito teosófico interpretado pelo indivíduo, intelectualmente, e baseado no nível actual da sua compreensão cosmológica e escatológica racional – exclui quaisquer acusações de ateísmo, mantendo assim a cláusula seguinte das Old Charges: “Um Maçon é obrigado pelo seu mandato a obedecer à lei moral; e se ele entender correctamente a Arte Real, nunca será um ateu estúpido, nem um libertino irreligioso. ”[ Charges of a Freemason, Grand Lodge of England, 1722]. Se a universalidade e a inclusão da Maçonaria em assuntos religiosos não eram o caso, os nossos antepassados deístas, quase gnósticos e joaninos podem ter tido dificuldade em cumprir os padrões de admissão na nossa nobre Arte, sem mencionar muitos outros homens bons e dignos, bem recomendados, nesta era moderna e cada vez mais secular.

Jaime Paul Lamb

Tradução de António Jorge
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